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Florianópolis, 08 de Novembro de 2008 BELOS OLHOS ORIENTAIS Por: Vera Albers Belos olhos orientais Se ainda tivesse inspiração, teceria uma elegia Mas já não a tenho Foi morta numa manhã de sexta, e enterrada no domingo. Consumado o assassínio, Cuida-se das aparências. Mão na mão, nenhuma seiva corre. No fundo, o coração, morre. Palavras são ditas, tiram-se do habitual, Enquanto se caminha pela relva estival. Só um cachorro percebe E late , furioso. Late, late, nada o abate. Talvez movido a algo de primitivo Teu sexo faz-se vivo. Arrasta-me à cerca, Cerca-me de bafejos De beijos Encosta-me ao espaldar Já não adianta, Sabor de perda no ar.
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