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Florianópolis, 05 de Agosto de 2006 BEIRA MAR Por: Vera Albers Já lhe aconteceu estar no mar profundo, entre cascos negros de navios que se sombreiam um ao outro, pensando no perigo que representa a sucção que porventura exerçam e, de repente, a alegria de se ver salva, na margem, andando pela fímbria, entregue a seus pensamentos? Como para Dante, rever as estrelas matutinas depois da rubra escuridão, o cinza claro da areia fina onde, junto a encosta, as ondas bordaram castelos de passamanarias; é uma sensação do outro mundo feito de contemplações e laivos de eternidade. O sol claro mal aquece seus passos, leves pelo frescor da leve brisa que ainda sopra, dolce color d´orïental zeffiro, conforme Dante ( Purgatório, I, 13).
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