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Florianópolis, 29 de Outubro de 2007

ALGUMAS PERGUNTAS
Por: Vera Albers

Atendendo à atenção benevolente de alguns leitores e leitoras que se deram ao trabalho de formular perguntas, aqui vão tentativas de respostas.

1.Por que escreve?

Escreve-se porque a vida dá de menos ou porque a vida dá demais, dizem os entendidos.Bem, comecei a escrever por necessidade, digamos, de sobrevivência do eu. Depois continuei para descobrir o que era a literatura.Depois o vírus me pegou.


2.Qual o papel do sonho no que escreve?

Fundamental, pelo seguinte. O sonho é um dom, um presente, sobre o qual, apesar de estar relacionado conosco, não se tem poder.Reveste-se de mistério e de sagrado.A voz sutil da Sibila? Na elaboração da narrativa a partir do sonho há uma tensão entre o eu e o presságio.


3.E o da psicanálise?

A psicanálise avança como um touro ( Piglia) sobre essa zona obscura que o escritor prefere que permaneça obscura ( seu reservatório?) ( o segredo de seu tom?) Se a psicanálise deu à literatura a forma irreversível do monólogo interior ( pela leitura que Joyce fez de Freud), o “como”, os psicanalistas (temáticos) querem dar-lhe fórmulas, o “o quê”.


4.Afinal, o que é literatura?

Primeiro: literatura é uma arte. A arte de contar( criar) uma realidade através da linguagem (única para cada autor e única para cada leitor).Segundo: nesta realidade tudo pode ser dito, coisa que não ocorre em nenhuma instância da realidade em que vivemos.Este tudo, porém, para ser arte, deve ser estilizado, passar pelo “como” do autor.Logo, é uma experiência privilegiada de liberdade.


5.Poesia, romance ou conto breve?

Agora, volto para o pessoal. Do sonho faço um conto breve. O conto se abre e se fecha sobre mim.Ou o leitor se identifica com algo, ou não o entende. Por ser breve, não tenho remorsos.Publiquei contos avulsos e uma coletânea: Surtos Urbanos, pela 34 Letras.

Às vezes o sonho esclarece finais e começos de um romance .Mas o difícil, no romance, é o miolo.Como não fazer o leitor perder tempo? Como manter seu interesse?Para amarrá-lo recorro ao memorialismo, à experiência vivida. E procuro ser precisa nas referências externas.O suspense é fundamental.Publiquei um romance Deformação, pela Perspectiva.

Poesia.é o que mais procuro ler. Quando é boa, é uma revelação. Destilação.Escrevo e traduzo poesia por inspiração. Publiquei poemas avulsos e na revista Cult. Descobri que alguns deles foram reproduzidos no Google, por obra de um leitor entusiasmado, a quem muito agradeço.

 

 

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