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Florianópolis, 11 de Setembro de 2006 MAGUTI Por: Vera Albers Vi uns mamões maduros na feira e me lembrei do episódio que me contou Marina. Marina havia saído há pouco de um caso, no mínimo, complicado. Isso, para ela, pois todo mundo, desde o começo, havia percebido que o mesmo não tinha futuro. -- Deixe disso, Marina, as paixões não duram ... Mas ela, tomada pela idéia pré-concebida do agora-ou-nunca, havia deixado o marido para engolfar-se naquilo que ela chamava “ a minha maravilha”: obviamente alguém que parecia amá-la sobre todas as coisas.-- Por acaso ele não é narciso?—perguntara-lhe a sábia Sophia. –Como assim? --A cabeça, quero dizer.A cabeça dele é de narciso. – Quem,ele? Imagine! tudo, menos isso!O caso durara quase dois anos até que sobreveio o fim, tantas vezes adiado. Marina estava em cacos.Chegou a procurar psicanalista, mas o nome que lhe indicaram de nada adiantou. – Minha amiga --, disse-lhe eu, também tomada por outra idéia pré-concebida. Faça como manda o figurino. Arrume outra paixão. Uma paixão nem que seja temporária, só para ajudá-la a esquecer.Soube, então, que Marina se armara de coragem e começara a freqüentar congressos. No congresso sobre a Inquisição, no Rio, conheceu finalmente alguém com quem conseguira se abrir. Fulano moço, vinha de Tel-Aviv, onde lecionava hebraico, sem ser judeu. O nome dele era Maguti. Vivia com uma mulher bem mais velha e não tinha filhos.– Veja lá com quem você vai se meter – comecei eu, mas Marina não quis ser interrompida : fez-me sinal par que me calasse. Hospedaram-se os dois no Hotel Glória . À noitinha tomaram aperitivo num daqueles salões vazios tão convidativos, e continuaram a conversa dos dias anteriores, cada vez mais íntima. Resolveram preparar-se para o jantar. Ele iria se barbear, ela descansaria um pouquinho. Tomou uma ducha quente e meteu-se na cama. Não sabe se foi por causa do álcool , mas de repente sentiu dentro de si aquela determinação: pegou o telefone, discou o número e com a mais suadente das vozes convidou-o a vir até seu quarto.O tempo passou. Finalmente ela vestiu-se e dirigiu-se à sala de jantar. Lá estava ele, como se nada tivesse acontecido. -- Eu sei entender as razões pelas quais você não veio – começou ela, num lampejo de clarividência. – Sim -- respondeu ele. -- “Veja-lá no que você vai se meter”, Mamy me disse quando eu parti. E se de repente não tivesse mais tido vontade de voltar?
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