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Florianópolis, 26 de Abril de 2008 AQUA MARINA Por: Vera Albers Costumava ir comigo à casa da praia nos feriados, mas soube agora que ela não iria por um motivo qualquer. Vai a menina – ela disse – mas a menina não ajuda em nada. Quem sabe outra menina me ajude – pensei - apesar de que hoje em dia as meninas não fazem nada. Realmente, não sei porquê. Não lavam uma louça, nem mesmo a que usam ( seria acintoso demais?), não põem um prato à mesa, nem mesmo o em que comem. Não cortam o pão nem temperam a salada. Limitam-se a por garfadinhas na boca, enquanto vêem televisão. E ninguém diz nada. Existem, é tudo. E quando forem mulheres? Hoje em dia as mulheres não fazem nada, diz o Marcos. Quando muito, fazem análise. Para descobrir o que fazer? Mas a questão não é essa. A questão é que, meio preocupada com o peso que me espera, pus a mão no bolso e encontrei a chave. Ao menos isso, pensei Ao menos a chave. Ultimamente minha memória tem me pregado peças. Gostaria de acreditar que é por eu ter coisas demais para lembrar. Mas descobri que o único jeito é estar sempre ligada, especialmente nas menores coisas, nos impensados lugares.... Fui, assim agoureira, visitar a Karla. Para dizer-lhe que iria ,que tinha encontrado a chave, sim, mesmo sem ninguém para me ajudar. Em compensação eu não sei onde pus as aquamarinas., ela falou. As aquamarinas tornaram-se um mito. Sinceramente, não creio que existam. Devem ser uma cisma de Karla, um gostinho que ela cultiva como os pequenos cactos, à janela. Dizem-lhe bom dia e boa noite. Nunca crescem, nunca diminuem. Mas em seu rosto havia uma expressão marota. Aqui estão elas! Diz-me, de repente, tirando do bolso uma, duas ,três águas-marinhas redondas, brilhantes, de indefinível azul.
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