Era aniversário da Itacy ( eu também me meto com cada espécime) e achei que ela ficaria contente de um mínimo de comemoração. Falei com a vice da diretora do local onde ocorria o curso ( para dizer a verdade parecia um hotel, mas não era um hotel) e a vice, cheia de dedos, foi falar com a diretora e disse que se tudo terminasse às seis e meia, antes da “sessão” da noite, tudo bem.
Fizemos então a tal comemoração. (Coisa mínima: guaraná champagne e ra-tchi-bun), mas, enquanto ia trazendo as garrafas da cozinha, passei sem querer em frente ao quarto de dona Sila e meus olhos ficaram atraídos por seu bichinho de estimação: um minúsculo gatinho branco e preto, meio enfiado debaixo do travesseiro no quarto escuro e - presumo eu – bolorento.
Dona Sila tem um segredo. Hoje ela sonhou com uma coisa tão estranha, comenta com as moças da cozinha. Uma coisa tão estranha que não tem nem coragem de contar. Mas eu sei do que se trata.
Dizem que todos, nessa vida, tem um dom.
Parece mesmo que o Criador ( ainda se diz assim?) deu a todos um, ao nascer.
Agora, convenhamos, comigo ele brincou. Digo, se ainda fosse o pensamento, vá-lá, mas do que me adianta eu saber o que sonham as pessoas?