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Florianópolis, 13 de Maio de 2008

ANIVERSÁRIO
Por: Vera Albers

 

Aniversário 

- Sim, minha mulher está em Milão. É uma história longa, depois lhe conto.

Admirei a franqueza dela.

Claro, berço, dinheiro, arte...Isso dá liberdade, não é ?

Mas é preciso reconhecer: mais não podia ter feito.

Desde a variedade dos convidados – não é que Lígia e minha irmã também estavam lá? Sem contar a moça que ia fazer um trabalho sobre  Lima Barreto e que agora enfrentara seu desafio no direito. Entrara sem cursinho e sem nada, dizia-me, púrpura, convencida de que encontrara o Caminho da Verdade – até os entretenimentos.

A festa duraria dois dias ( se ao menos desse para trocar de roupa, ocorreu-me ) e haveria ônibus ( vans,  melhor) esperando a gente no pé da muralha -,  a mansão ficava no alto- para visitarmos os arredores.Zzzzz deslizavam os elevadores quase tocando a encosta de granito, e nós, descendo deslumbrados. Que trabalho de engenharia. E o que deve ter custado. Mas a vida é isso, quem pode faz dela o que quer. Não é mesmo?

E eu com aquilo na cabeça me martelando: V e W! V e W!

Não conseguia lembrar iniciais de que palavras elas eram, no código Morse.

Víktor, desgraçado! Agora falta W: Wisky,Damn it!.

Aproximei-me de minha irmã. Enquanto esperavam-se as vans faziam-se compras de artesanato nas banquinhas a rés da entrada. Lígia já estava com os braços cheios. Bonequinhas de corda, roupinhas de saco: artesanato tosco, mas muito artístico.

Só podia sê-lo. Mas a cabeça dela estava na Inglaterra, onde um médico aloprado experimentava um capacete para o mal de Alzheimer. Em agosto, ela me disse, pensando no marido.

Boris deve me odiar – pensava eu no entrementes – pois falou mal de mim. E dentro de si , agora se arrepende, mas que falou, falou, e eu sei disso e isso está bem no fundo dele, não volta atrás. Que vá com Deus. Não preciso dele, não quero saber dele.

Outros pensamentos se agitavam. Como é que o Pen Warren foi ministro do New Criticism, ele, tão floreado?Em tempo: na prosa.

Aos poucos seres abstratos tornam-se companheiros de estrada. A isso chamamos de elevação. Ou será por que os seres em carne e osso não resistem aos ataques da realidade? Se desfazem aos poucos; só permanecem para nós  bem poucos, se o computo for positivo, como dizia o finado Paulo, que Deus o tenha.

  

 

 

 

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