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Florianópolis, 27 de Junho de 2008

COMEÇOU
Por: Vera Albers

As filhas de diplomatas de fato ( e às vezes suas mulheres) assimilam, absorvem certa delicadeza no trato que para mim move montanhas.

Assim foi com a filha do embaixador da Colômbia em cujo apartamento fiquei em Moscou.

Não se trata de ser reservada, como a mulher do Angeleri.

Nem de ser discreta.

Às vezes a reserva e a discrição ofendem por te excluírem.

Se trata de certa leveza impalpável, que se derrama e apara todas as arestas.

Foi assim com a filha do embaixador japonês.

Uma coisa aprendi com ela – já tinha aprendido com a Fukushima, e agora com ela. A gente deve se premiar por coisas bem sucedidas.

(Com ela era assim: qualquer economia, ia logo ao Banco de Boston transformá-la em dólar. O dólar ainda valia)

Assim ela me pediu para fazer os bilhetes de comemoração.

Não é que pinte maravilhosamente, mas sou rápida, e aí se tratava de uma coisa imediata.

Eu faria a iluminura em cada dépliant e depois escreveria uma frase, com aquele pincel preto que os japoneses usam.

Fiz o primeiro em azul e ficou bom.

Não lembro se terminei todos.

O fato é que fomos para o corredor que dá no pátio e vimos no céu um objeto cilíndrico brilhante, como que em noite escura.

Será que ele fazia a noite?

O objeto vinha feito míssil e feito míssil deve ter aterrissado alhures.

Nessa hora não se pode estar sozinho, pensei olhando para o Marcos, bem pertinho.

Vou segurar bem forte as mãos deles e fechar os olhos.

Começou, pensei.

 

 

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