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Florianópolis, 28 de Outubro de 2006

CRÔNICA À LEANDRO KONDER
Por: Vera Albers

Evaldo voltou da viagem e, apesar de meus sorrisos confiantes, logo vi que não estava tão entusiasmado, ao menos, não tanto como quando partiu.
È que os livros que lançamos não tiveram o sucesso esperado, disse ele, meio esfriado.
Eu sabia! Eu sabia!
Este país de lulas que não lêem!
Mas fiz bom viso a molesta sorte e seguimos adiante.
O adiante era uma festa dada pelo Secretário aos empreendedores culturais da capital, na qual Evaldo depositava o resto de sua confiança.
Sempre no intuito de levantar o astral de meus próximos eu havia anunciado que conhecia o Secretário de longa data, desde os anos da Poli. Havia chegado mesmo a publicar uma entrevista com ele na revista que havia fundado com um grupo de abnegados. ( Haverá de me reconhecer, dianho, pensava com meus botões. Será calamitoso se não...). Mas felizmente ou não, a aglomeração de pessoas era tal que ninguém conseguiu falar com ninguém. O ruído, quero dizer.
Assim, no corredor da saída disse à Lis, a mulher do Evaldo: vou adiante, espero-a na rua, com o carro.
No corredor também o fluxo era grande. Apesar de ela estar vestida de amarelo e ressaltar qual folha caída no capim, não divisei a Lis. Dei a partida no carro, tristonha, presa de presságios crepusculares.

 

 

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