Na verdade, o trem silvava, embaixo.
Era isso o que faltava à minha imagem, de repente lembrei... e isso, freudianamente, explica tudo.
Quanto às leitoras ( e ao gentil leitor) que quiseram responder à minha enquete sobre as suas primeiras lembranças, aqui vão elas, com meus agradecimentos e alguns comentários ( apenas os nomes são trocados).
A moça, Juliana, que confundia as lembranças com as fotos, finalmente lembrou-se de a primeira ter sido quando ela e a Mônica iam procurar coisas num dos barracões proibidos da Escola Novo Mundo. A Escola Novo Mundo, explica Juliana, fora escolhida pela mãe justamente por seus barracões ( um de carpintaria, outro de jardinagem, outro de fantasias...)e pelo extenso jardim cheio de pinheiros e de flores nórdicas que deveriam suscitar nela ecos de antigos ancestrais.
Êta mãe batuta, essa: acertou em cheio.
Já a Antonieta lembrou da imagem dela subindo numa árvore, em São Caetano do Sul, e a avó gritando para ela: “Cossa gué! Cossa gué!”.
Decididamente, Jung está do nosso lado. Além da ancestralidade, parece que as primeiras lembranças estão presas a um modelo (arquétipo?) que irá repercutir em sua vida em curiosos desenvolvimentos.
Veja-se o caso da lembrança do gentil leitor.
--Eu vinha correndo e esbarrei numa pessoa que atravessava a rua. Ela caiu. Meu pai chamou-me e me encheu a cara de bolachas.
O próprio leitor informa a continuação:
--Uma das tônicas em minha vida tem sido a de eu seduzir as pessoas e depois “ atirá-las aos cães”.(!)
Será a vingança da lembrança ou a lembrança da vingança?