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Florianópolis, 04 de Novembro de 2007 O PASSADO Por: Vera Albers Contrariamente às críticas que andei lendo nos jornais, para mim O Passado de Babenco é um filme muito bom. Justamente por aquilo que os jornais atacaram: o mergulho na personalidade masculina.Nada de anormal em Rimini ( Gael Garcia Bernal),um rapaz que casa com uma colega de escola ( Analia Coiceyro), mais “forte” do que ele, mais decidida, mais madura, dominadora, pelo menos assim se apresenta quando confia, muito naturalmente, à amiga terapeuta que depois de doze anos eles vão se separar.É natural que ele procure se desvencilhar dela e das tentativas dela para manter algum contato ( falando ao pai dele, falando das fotos, etc.) Depois de ele encontrar Vera - ( a primeira namorada, depois de separado), que se mostra ciumenta e insegura e começa a criar uma relação sufocante e de ele se enamorar da tradutora (mais velha, mais equilibrada) - o movente da morte de Vera é o beijo que a primeira mulher extorque dele. A partir desse momento o expectador desconfia ( e mais tarde comprova) que ela é também diabólica A não ser o fato de que, a partir de certo momento de sua vida Rimini fica impossibilitado de trabalhar ( amnésia para as línguas estrangeiras, e ele era tradutor), sua vida seguiria dentro de padrões previsíveis. E, mesmo assim, segue. Casa com a tradutora, se dá bem com ela, tem um filho com ela, ocupa-se da criança. Mas aí entre em cena de novo a diabólica e acaba com o casamento dele.( Por sinal, ao tentar satisfazer o que ela lhe pede ele é humano no começo e correto no fim. Não há transgressões nem embrutecimentos, nem anomalias em sua personalidade.) Sem trabalho, sem casa, procura abrigo com o pai que se deprime. Este muda-se para La Plata e lhe deixa o apartamento em Buenos Ayres para que o venda.Sem dinheiro, sem amigos, enquanto espera inutilmente que alguém compre o imóvel ( preço alto demais e estado precário) vive feito um marginal até que um amigo do pai o resgata levando-o para sua Academia onde, por ser de boa aparência e após treinar-lhe os músculos, o transforma em instrutor. As madames o disputam, principalmente uma loira rica que lhe compra os favores mas que logo o “ trai” com outro instrutor. Sua reação é plausível: enfrenta a loira e vinga-se estragando-lhe o carro. A polícia é chamada e ele é preso. À porta da prisão, após ter-lhe pago a fiança, que m está?A primeira mulher que terminou de tecer sua rede. Finalmente ele é derrotado o suficiente para voltar definitivamente a ela que o exibe às pacientes do centro Adele H que acaba de fundar, como prova do quê mesmo? Todas as personagens são convincentes, apesar de caricatas.A mais caricata de todas (espécie de virago manipuladora) é a primeira mulher. Ela, sim, é desumana e “ desalmada”, mas pessoas assim existem, são as obsessivas, as “terroristas psicológicas”, como diz o crítico Ricardo Calil ( quem não lembra de “Obsessão Fatal” com a Glen Close?).E provavelmente era um ajuste de contas que o autor (Alan Pauls) tinha que fazer, ou o cineasta. Só que delas não há como livrar-se pelas vias comuns ( os filmes americanos que o digam). Daí Rimini não ter alternativa, a não ser como presa em eterna busca de evasão.
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