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Florianópolis, 10 de Junho de 2006

A COPIADORA: PRIMO LEVI
Por: Vera Albers

Não acorde o cão que dorme, especialmente quando se trata de serviço público. Mas,

descobrimos, numa das salas da velha faculdade a beira-mar ( não é a Unerp, mas algo mais parecido com o restaurante na Ilha Bela, na ponta extrema da ilha) uma estranha copiadora, que, quando acionada pelo funcionário Jorge e acoplada a moderníssimo computador, reproduzia não somente a cor da página do livro submetido à luz reveladora, mas algum outro segredo que agora esqueci.

( Como é possível? Só com soco!)

Estaria relacionado com a personalidade do possuidor?

Isso!

Como o livro vinha da coleção do seu Naza ( essa não foi doada à Academia) ficamos sabendo de alguns deslizes de comportamento que podiam perfeitamente não ser sabidos.

Tipo: desaparecimento de faturas, privilegiamento de candidatos, corte de revistas que obscureciam o coro das Marias, impedimento de criação de cátedra (em favor de criação de igrejinha!) e talvez, no fundo dos fundos – mas isso só apareceu como bolha colorida no alto da página -- uma paixão temporã, que tivera por uma aluna exótica de pálpebras verdes a quem associava a idéia de fonte luminosa.

A moça ficou tão mal que foi parar no hospital.

Mas Naza sacudiu os ombros e espalhou cinza no cabelo: concluiu que tudo não passou de uma impressão. Quem mandou ela se apaixonar? E por um homem ca-sa-do, Santo Deus!

Acho que era isso que acontecia: a copiadora copiava flagrantes de sua vida e os expunha à execração!

Quadros coloridos, puzzles que você montava, e que desandavam!

Mas a máquina era danada. Era só chegar o dono, ela emudecia.

Era só chamar o técnico, ela passava a funcionar regularmente

Como seria essa máquina em relação a você?

Nano, Neno...

Foto ou assinatura?

Imantada pela aura de afeições.

Mas só a aura negativa das paixões´.

Num lugar tão ameno, quem diria...

 

 

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