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Florianópolis, 30 de Janeiro de 2007

KING KONG E ARREDORES
Por: Vera Albers

Ontem assisti a versão 2005 do pobre do King Kong em que, tirante ele e Naomi Watts (tão delicada quanto Fay Wray da versão original de 1933), o resto não passa de efeitos grosseiros déja vus. Mas a figura comovente do imenso gorila fez-me vir à lembrança um antigo artigo de Umberto Eco, quando ele ainda era um excelente jornalista, em que
reportava um hábito instintivo dos grandes primatas: depois de uma luta feroz, o perdedor oferecia, para ser poupado, o sexo ao vencedor.

Com isso fui dormir e sonhei uma reunião de pessoas country todas sentadas, ouvindo uma mulher falar empolgadamente ( apesar do auditório hostil) sobre os desastres que aguardam em breve o globo terrestre. Devia ser um lugar machista porque, logo depois, ao abrir uma porta indevidamente, entrevi a mesma mulher com vestígios de abuso sexual e com uns dois ou três brutamontes de botas em, volta dela.

Pergunto-me agora: será este instinto de aniquilação através da arma do sexo, ou tout court, será este instinto de aniquilação mais próprio do sexo do macho? Transpondo para a vida doméstica não tão remota assim, como pode um marido que, em lugar de contribuir para construir, aniquilou a mulher durante a vida inteira ( pela força física, pelo dinheiro regateado, pela negação de qualquer vontade etc.) se sentir “normal” ao lado dessa pessoa-coisa e achar isso natural?

-- Oh, elas também são umas pestes. Respondeu-me um homem a quem perguntei

 

 

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