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Florianópolis, 17 de Fevereiro de 2007

MÁSCARAS, HETERÔNIMOS
Por: Vera Albers

O que leva os escritores a tê-los?

Vamos imaginar o caso mais simples. Alguém que não quer ser reconhecido tal como normalmente o é. Quer depor uma imagem que criou de si e/ou que acha que os outros criaram dele. Para quê? Para sentir-se mais livre, para dar vazão a uma faceta de sua personalidade que ficou constrangida, tolhida, dentro dele mesmo. Então procura o que outrora se chamava nom de plume. No começo parece-lhe um jogo – depois tende a acontecer que essa faceta cresce e também se agrega à sua persona anterior.Antes assim, enriqueceu-se.

Ou então não se agrega, entra em conflito. Já pensou que conto sensacional daria o fato de alguém ficar com inveja, com ciúmes de seu pseudônimo e não conseguir se desfazer dele? Como no nariz de Gógol!

Há casos de escritores que se descobrem muitas facetas diferentes . Os pseudônimos poderiam multiplicar-se, diferençar-se mas, geralmente, basta que o façam as personagens de seus escritos. Ou então, no caso de muita versatilidade, dá-se um nome diferente ao autor de cada gênero: X para o drama, Y para a crônica, Z para o romance... o problema é administrá-los.
Cuidado, porém. Há sempre a ameaça velada, de que o jogo se torne perigoso, que a personalidade se cinda, que a pessoa não coincida mais consigo própria, ou simplesmente que a confusão seja tanta que atrapalhe a pessoa, que lhe tire seu tempo, e, contrariamente ao que se propunha, que emperre a sua expressão.

 

 

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