Estou sabendo que as cartas são um poderoso meio de expressão, quando não escritas para a posteridade, porém , que aí—como dizia a boa alma da Regina -- ninguém agüenta.
Elas têm a vantagem de serem um gênero curto: ut doceat, ut moveat, ut delectat, leio no livro de uma senhora encantadora que resolveu pesquisar a vida do próprio pai e que, inteligentemente, usou trechos das cartas para costurar e ponderações pessoais ( N.B.: altamente abalizadas) para ir comentando os acontecimentos de sua formação e de sua atuação.
Aí, inevitavelmente, me pergunto, e minhas cartas, que fim hão de levar?
E minha formação ( desinformação/deformação, etc.), quem irá amorosamente escava-la em tanta papelada, salva dos naufrágios da existência?
Há escritores -- geralmente homens – que já se consideram de domínio público. Então, qualquer coisinha que eles façam, vejam, pensem ou digam, vão registrando em seus “ diários”, justamente, para a posteridade.
Um deles, entre tantos, me surpreendeu, pois, não esperava essa catalogação por parte de seu autor. É o que, em alguns aspectos, prejudica o Diário Moscovita de Walter Benjamin. Salva-se pelas páginas em que ele, irresistivelmente, se expõe