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Florianópolis, 01 de Abril de 2007 MY LIFE Por: Vera Albers A maior dificuldade é “colocar” um livro. Deram-me a tradução de My Life de Lyn Heinian para ver se alguma editora se interessa. Procura cá, procura lá, no fim resolvi eu mesma ler o livro, para melhor apresentá-lo. ( Da autora só sei que é persona grata ao pessoal da Marjorie Perloff, junto ao qual publicou uma porção de livrinhos. Deve ser descendente de pais ou avós de alguma ex-república ex-soviética ( escreveu uma novela russa: Oxota) e deve lecionar em alguma universidade americana. Vou conferir no Google: é que agora nenhum provedor funciona...) Mas, foi só começar o livro e me vi viajar em outro continente. Você entrar no universo de uma outra língua ( inglês, no caso) é – como diz a vizinha – no mínimo, “complicado”. (Antigamente, quando se queria dizer cobras e lagartos de alguém, se começava assim: “ ele é uma excelente pessoa”...). Explico-me, o livro é encantador, tão encantador que não dá para ser lido de uma vez. Razão tinha Turguênev que sempre começava seus romances a um terço do começo. O começo era só preparação da ambiência. My Life precisa dessa preparação. É um livro de lembranças, de sensações ( até onde cheguei, da infância) que parece simples, mas não é. E o que é mais curioso é que me levou instantaneamente a me perguntar: e as minhas lembranças, quais seriam? Pergunta importante, que cada um deveria se pôr. Tanto mais que à noite revi pela terceira vez o filme de Sam Mendes Beleza Americana que termina justamente com isso: antes de morrer passa pelos olhos de cada um um turbilhão de momentos de sua vida. Quais seriam?
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