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Florianópolis, 09 de Abril de 2007
INAUGURAÇÃO
Por: Vera Albers
Digamos que não foi como pensava.
Tratava-se de uma sala cheia de estantes e de móveis de madeira cor de escremento.
Sorry
Mas tinham-nos tornado brilhantes
bem...
Luares acanhados,
e os editores, completamente
kitch?
Dépassés?
Desenhos infantis,
sem estilização.
Estilização Essa é uma das idéias de que queria lembrar. Condição sine qua non da arte, embora não a sintetize. Claro, a arte é muito mais do que isso, mas esta é uma característica sine qua non.
Sorry, Bakhtin e seu também essencial (mas muitas vezes óbvio, especialmente quando é consigo mesmo ) conceito de diálogo.Sorry, Oulipo, e seu essencial ( mas também redundante) conceito de constrição.
Devo o acoplamento arte-estilização ao falecido LGR – que sua alma branca e preta descanse em paz. Tudo ia bem, até que ficava pessoal.
Quero dizer, os artigos dele eram ótimos, até que a torrente rompia as margens, conforme diria Marco Bellocchio, cujo filme revi na tv ontem de noite, Bom dia, noite, filme meio forçado sobre as brigadas vermelhas ( não merecem maiúsculas), mas, tudo bem.
Daí, no meio de muitas verdades relativamente originais ( relativamente, porque o conteúdo de tudo já foi dito), lá vinha ele com certos desvios abruptos e mais do que comprometedores ( comprometedores dos artigos dele)..., fora de lugar.
Exemplo de idéia original, talvez, nesse globo rapidamente murchante, até destemida: escreveu ele num artigo que a natureza criou os homossexuais ( que, teoricamente, não têm o impulso procriativo) como um dos meios de proteger o planeta do excesso de população – como os coelhos na Austrália – dizia ele – que quando atingem um número insustentável se atiram, em hordas, no mar.
Exemplo de desvio abrupto: num prefácio sobre o Acmeísmo de A.A., de repente se meter a escrever que Sartre era um hipócrita. Pode até tê-lo sido, mas não aí, minha senhora ( Pas ici, madame).
Minha alma, sobre ele, também está dividida. Faço o sinal da cruz,( não sou crente, mas quem sabe isso incremente o seu descanso) quando passo em frente à casa dele. Ainda estou incerta, mas , provavelmente ele ficará no meu panteão ( não é cânone, são meus interlocutores do além)( não sou espírita, outrossim).
Mas estava contando da inauguração.
Passada a antecâmara dos adjuntos, encontro o dono, jovem que me conta uma história atormentada de torturas e dependuramentos dos quais ele mesmo teria sido vítima.
Parafraseando Gregory House, nosso guru do momento: teria sido ou teria querido ter sido?
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