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Florianópolis, 12 de Maio de 2007

DR. FORTUNA
Por: Vera Albers

Fui ao consultório dele curiosa pois me haviam dito que fazia regressão.

Estava louca para regredir, mas a coisa, pelo visto, era muito demorada.

Depois não gosto que remexam assim em minhas intimidades.De modo que, uma viagem próxima acelerou o processo.

Descobri algo que já sabia, ou melhor, que sempre soube.

Mas quando essa coisa é posta em evidência, levantada do fundo comum em que se encontra, ela começa a irradiar.

Qual é a época em que você mais foi feliz?

Momentos, há alguns esparsos pela vida afora, mas época, época mesmo, só há uma.

Cada um , com certeza, tem a sua. A minha foi assim: cheiro de tamargueira, sombras de oliveira. Brincávamos de esconde-esconde nas noites brancas de nossa adolescência.

Menina-moça, sentenciou o doutor. Você fixou-se na menina-moça.

Não é que ele acertou? Nos momentos de liberdade sou a eterna menina-moça de minha mocidade. Por isso minhas escolhas tendem para esse fim. Por isso a fita no cabelo, por isso os perfumes de resina e a teribintina. Por isso os velhos papais que me deixam ser quem eu era,  por isso o colibri.

 

 

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