Era bicho d´água, mas era magrelo. Alto, distinto até, com olhos tipo meigo, fazia-se de receptáculo às confidências das meninas-moças. Naquele tempo, havia.
As meninas ciciavam. Faziam roda em volta dele. Desabrochavam de alegria. Rosinhas em botão. Sorriam, ciscavam as palavras mais bonitas, Vinham de família de pai macho que só quisera filho homem. Não veio.
Em compensação, as filhas eram três, uma mais rechonchudinha que a outra, ciosas por um ouvido compreensivo, por um olhar animador. Eram as coleguinhas do filho dele. Mas o filho, era bocó. Ás vezes iam até a praia do Itararé. Com a família toda, é claro. Nos dias de sol era gostoso.
Mas,
uma delas, a mais velha, foi pega pelo pai escrevendo poesia.
-Poesia --, disse, à noite, o pai, à mesa --, eu a peguei escrevendo poesia ... para o sujeito!
(Como será que ele soube?)
E agora vêm aqui dizer que ele as apalpou na água?
Foram elas, elas, as culpadas!
A noite prolongou-se entre chutes e bofetadas.