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Florianópolis, 16 de Agosto de 2007

EDUCAÇÃO?
Por: Vera Albers

Estou aqui juntando artigos sobre o que há de errado na Educação ( no Brasil) mas já vi que preciso dar um corte: o material avoluma-se diariamente, tanto que já daria um compêndio.

Cronologicamente, chamou-me a atenção um texto de Leandro de Lajonquière na revista do Sesc e de junho 2007 (pelo sobrenome pensei ter ele vindo da França, mas veio da Argentina). Pois bem, ele levanta um ponto interessante: ” a sutil equação que possibilita a educação se ressente quando os adultos se apresentam às crianças como tributários de um espírito antiescolar. Apesar de pretendermos mascarar certas coisas, as crianças sacam do que se trata nas entrelinhas do que dizemos ou deixamos de dizer.”

Isso me fez lembrar um artigo de um educador mais que septuagenário, assíduo na Folha de S. Paulo, que dizia exatamente o contrário, ou melhor ( ou pior?), propondo a aula como algo de “ gozoso”( nada de gramática – tudo de causo) implicava a irmanação do professor com aluno nessa prática, nem sequer o mascaramento.

 Aí vem Guiomar Namo de Mello, na mesma revista, mesma data, pondo alguns dedos nas chagas. Resumo:

“ Destacamos mais o ensino que a aprendizagem;  não temos planos curriculares: cada professor à deixado à própria sorte; sem alinhamento de metas e conteúdos do ensino por áreas e faixas etárias ( indispensável) ninguém presta contas: quem ensina, o que e quando, quem aprende o que e quando e como se avalia.Só o livro didático não propicia articulação entre as disciplinas e as séries. Capacitações genéricas ( dos professores) sobre uso de materiais em geral não são suficientes. Quando haverá um projeto pedagógico coerente e interdisciplinar(  MEC?)

. Conteúdos e competências básicos (leitura, escrita, raciocínio lógico, científico e matemático)não são valorizados nas demais áreas, pois cada um está preocupado em mostrar a importância de sua disciplina.

Nossa cultura escolar aposta pouco na capacidade de aprender dos brasileiros.

Pais não são para fazer sanduíche nas festas juninas; a família deve aprender para saber o que fazer para ajudar na escolaridade de seus filhos: criar um ambiente ordenado, com rotinas e certos rituais básicos necessários à solenidade da aprendizagem.

A importância da hora e do cantinho da lição de casa. No plano familiar ( criá-lo, construir um projeto juntos, criar uma tradição) de que faz parte, a criança deve saber claramente que sua função é ir à escola, aplicar-se e aprender.

Valorizar o estudo e o trabalho intelectual mesmo quando a mídia, a política e tudo mais os desvalorizam.”

( Veja-se, mutatis mutandis, o que diz o cineasta João Moreira Salles ,  em entrevista à Folha de12/080/07:” “Uma noção de respeito ligada à tradição, talvez até um pouco conservadora. Diante de determinadas coisas e pessoas é preciso certa liturgia, certa solenidade. Acredito nisso”.

Claro, porém, que tudo isso só pode ser tentado ( e praticado) “quando um povo tenha (alcançado, assegurado?) as condições mínimas de dignidade”. Se não houver esse estado de dignidade, nada vale nada. De quem são essas palavras? Por mais inesperado, de um outro homem de cinema, um ator, o finado Marcello Mastroianni (entrevista nas então páginas amarelas de Veja), quando veio ao Brasil atuar no filme Dona Flor e seus dois maridos...

Ouvindo a entrevista do ex-ministro da Cultura de Inglaterra a um entrevistador brasileiro gravada em junho do corrente, sobre criatividade na cultura – principalmente no que dizia respeito à publicidade, mencionava ele três coisas importantes: 1. A presença de um centro urbano grande; 2 a existência, nesse centro, de uma complexidade de etnias e, 3. a existência de uma tradição cultural comum, à qual se referir. Essa tradição cultural básica, cabe em grande parte, à escola. Como ela é tratada no Brasil?

 

 

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