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Florianópolis, 19 de Agosto de 2007

XI, O PIAUÍ
Por: Vera Albers

Quem sabe ainda tenhamos, num futuro não tão longínquo assim, um FHC jovem, que consiga propor e garantir – já que por atacado é impossível -- as tais “ ilhas de excelência” como projetos-piloto em todos os campos, a começar pela educação,  para sairmos dessa mediocridade que nos assola? A China, A índia, os próprios EUA começaram assim. Ânimo, pessoal

Esse número temático ( sobre “o poder”) da revista Piauí n. 11 está tão bom que, pelo menos aqui em S.P. os principais jornais, direta ou indiretamente, já falaram dele ( na Folha, Marcelo Coelho e no Estadão, João Ubaldo Ribeiro).Mas quem me levou mesmo a escrever essas poucas linhas foi o ensaio desconsolado de Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja (22/08/07) “O Brasil é isso mesmo que está aí”, citando uma frase do Fernando Henrique na entrevista que ele dá na revista Piauí a João Moreira Salles.

Bem, quando eu li a entrevista, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato que F. H. tivesse recusado dar aulas na  famosa Universidade de Harvard ( numa temporada anual), para, ao contrário, dá-las na desconhecida Universidade Brown, no minúsculo estado de Rhode Island. – É que lá pagam o dobro –  teria explicado o ex-presidente, que, apesar de ele e dona Ruth serem professores aposentados da USP, e terem, acredita-se, uma série de outras ligações, parecia preocupado com o com que viver.Pois é, essa decisão e essa explicação deram o tom ao depoimento, para mim. Algo como “sob o signo do desânimo,” que o entrevistador captou admiravelmente quando acompanha o professor tendo que tirar os sapatos no aeroporto,  tendo que comer sanduíches em lugar de almoçar ou tendo que jantar antes das cinco; respondendo a perguntas triviais; descobrindo, como Maiakóvski em 1925 ( Minha Descoberta da América)que “ a força do sistema financeiro é tão grande que acaba por transformar a essência do sistema”, etc. Deixo de lado o bate-papo com Daniel Ferrante, pós-doutorando brasileiro em Brown que queria voltar ao Brasil mas que por falta de um “ projeto de nação” não voltará, uma vez que o Marcelo Coelho dedicou a isso sua coluna. Já o F.H. voltará, pois “ essa coisa de ser brasileiro é quase uma obrigação”. “Significa, na lógica de FHC, comprometer-se com um país que continuará a ser medíocre”, conclui o entrevistador. E FHC: “ Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação também e aos poucos a infra-estrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo do crescimento, nada que se compare à Índia, à China. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo”.

Por coincidência , na mesma página a Piauí publicou um poema de Carpinejar ,“Ponto Fraco”, sobre a constatação definitiva do envelhecer. Ora, o desânimo é sintoma de velhice.

 

 

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