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Florianópolis, 08 de Outubro de 2007

TROPA DE ELITE
Por: Vera Albers

Bem. Fui assistir “Tropa de Elite”.

No começo aquela bagunça colorida de luzes que raiam pra todo lado, junto com o som. Um baile funk em revoada, palavrão vazado a sexo, tiros e lampejos.Lembrou-me alguma cena de “Cidade de Deus”. (Leio depois na Vejinha que a montagem é do mesmo montador). Bonito e confuso,com certeza, de propósito.Quando finalmente faz sentido, num Rio lancinado pelo sol, verifica-se que ninguém presta. Ou melhor, não existe código moral. Existe é uma porção de códigos, menos o código moral. Há o código do sistema ( dos P.M.) em que o hierarquicamente mais acima rouba mais alto.Se alguém de graduação inferior interfere, é castigado no ato e exemplarmente. Enviam-no desde a oficina de carros esculhambados até a cozinha do batalhão.Em casos piores,  em missão em algumas das setecentos favelas. O lucro do roubo ( eufemismo: propina) provém do jogo ou do tráfico.Entre estudantes da Urj e onguistas o tráfico viceja.Aliás, a condição para a Ong  de estudantes (  em missão social) se instalar na favela é fazer acordo com os ban-ban  que mandam lá e cuidar de não rompê-lo. As meninas  leitoras de Foucault sabem disso e zelam para que o “delicado equilíbrio” se mantenha. Senão o código dos traficantes  manda matar, de preferência, carbonizar.Se , porém, algum policial é acossado ou morto, ou se trata de alguma ação muito especial (como a do papa J.Paulo II que, em 1997, queria pousar numa favela), chamam o Bope. Mesmo que qualquer lei  fosse observada, o Bope está além de qualquer lei.De cem candidatos, só três entram.Os fracos e os corruptos que se inscrevem, caem fora O emblema é faca na caveira. São treinados “melhor que a tropa de Israel”. Não aceitam propina. São poucos mas são machos integrais. Não adianta a mulher do capitão Nascimento dar conselhos e tentar influenciá-lo quanto ao seu trabalho.A conseqüência é funesta. Torturam e matam conforme manda o código do Batalhão. Finalidade: extorquir confissões, denúncias, castigar, resgatar a imagem da elite da tropa. Se fazer respeitar ( conforme o modelo de alguma Special Unit do seriado americano- só que, presume-se, nos EUA, mesmo a polícia está sujeita às leis). Seria dos males o menor, se toda a polícia fosse assim, diz algum espectador estarrecido, com a mão à boca, quase passando mal. Mas é uma minoria tão minguada , admitida pelo próprio Sistema ( da polícia em geral), e em busca de contínuo remanejamento. (No fim do filme capitão Nascimento vai cuidar de sua vida e de seu filho em outra Repartição). O que resta? Estudantes sonsos e cooptados, professores prolixos e alienados, povacho dançando funk, favelados dominados, polícia corrupta, políticos  aliciantes, burgueses aliciados.

Conclusão: Salve-se quem puder de um país sem lei, sem caráter, sem moral.

 

 

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