Creio que todos devem ter dentro de si a primeira lembrança-imagem de suas vidas. Junguianamente pensando, isso deve ter até algum valor, para a vida futura, quero dizer.
É como se abrisse a longa sessão de nossas memórias e nós somos feitos do que lembramos. Mas a primeira, tal como, provavelmente, a última, é especial.
Cheguei até a fazer uma enquête: --Ah, preciso pensar. Agora, assim, eu não sei dizer, confundo-me co´as fotos...
Estou esperando.
Vejam essa de um senhor heptuagenário, que na época – diz – devia ter uns três anos
-- Eu estava andando pela rua principal com minha babá, a Erna, quando paramos em frente a uma peixaria. A janela da peixaria estava aberta e eu vi o calendário pendurado na parede no mês de fevereiro. Lembro-me vivamente, como se fosse ontem. Não sei por que razão eu lembro. Talvez porque nasci no mês de fevereiro.
-- E eu – respondi -- nem sei que idade tinha. Devia ter perguntado à minha mãe. Talvez três, também.
Estávamos quase de mudança da casa onde morávamos nas montanhas e eu me encontrava a cavalinho da Laura, na sala de visita com os sofás revestidos de um tecido de lã azul-pombo. (Aliás os próprios sofás eram peitudos, feito pombos). E a Laura me levava na garupa, de um sofá a outro, e eu gritava de alegria, de felicidade, mesmo.
Ainda vou descobrir o que isso significa.
Aliás, se alguma das (os) numerosas (os) leitoras ( es) quiser me mandar a sua primeira imagem, prometo juntá-las e me esmerar na interpretação. Aguardem.