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Florianópolis, 11 de Setembro de 2006

A ROUPA
Por: Vera Albers

Decidi viajar de barcaça pelo rio adentro, uma vez que está pegando a moda de viagens mistas: turismo, paisagismo e algum grupo em congresso, na ida e na volta.
Era uma barcaça velha, que cruzava com outra, na mesma rota.
Pouco iluminada, mal pintada, a gente via porém que a estrutura era forte e sólida: coisa da velha Albion.

Os passageiros, em geral, se adequavam às três categorias. Havia, porém , exceções. Como meu tio, que resolvera viajar para se inspirar e um ex-alunino meu, certo Petrônio, cheio de topete, que dizia querer mudar de embarcação no primeiro porto. --Pouco condizente com o que o pai roubou – pensei, -- como sempre, ou então não encontrou a companhia de que teria gostado.

Mas ele não se mudou: vi-o no jantar erguendo um cacho de bananas da terra astronômicamente grandes, de casca marrom.

Eu encontrei um antro de velhas tanajuras ( a mais nova contava, quantos anos?) que experimentavam roupas, num camarote. Fui experimentar, também, e descobri um estranho vestido azul marinho, com decote recortado, aguardando a gola branca interna , parecendo a boca dentada de um imenso peixe-concheta e com o qual resolvi ficar. Pavoneava-me na amurada.

Meu tio, velho coronel aposentado da British-Indian Army, na cabine dele, parecia preocupado. Estava às voltas com mais um capítulo de suas Memórias e planejava “enviá-lo ao editor via cabograma” ( existe isso, ainda ? – pensei – parece coisa de outro mundo). Como tudo, aliás. E: “que a desejava como mulher ” não fica meio deslocado? – Não --, digo eu, uma vez que o senhor não consumou.

 

 

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