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Florianópolis, 16 de Agosto de 2008 NATIMORTO - SOBRE O TRABALHO DE PATRÍCIA OSSES Por: Fernando C. Boppré* “O tempo é a substância da qual sou feito FRÁGIL! Uma angústia acompanha o tempo de existência das ações de Patrícia Osses. Uma certeza do desastre. Da queda e derrocada do astro. A impossibilidade do continuar. O tempo passa e arrasta coisas consigo. “Mesa” (2001) é uma performance de objetos: quatro blocos de gelo sustentam uma placa de vidro. Frágil são os materiais utilizados para a construção desta “mesa”: os pés são de gelo, o tampo é de vidro. No entanto, o frágil no interior do duro. Afinal, gelo e vidro são sólidos. “Mesa” é a desconstrução do espaço pelo tempo. A idéia de mesa, seus elementos (gelo e vidro), é arrebatada pelo passar do tempo. Liquidifica-se. Intimidade Passagem Alterar, transformar e, por vezes, sabotar o espaço conhecido e que mantém a estabilidade da relação entre as pessoas e o mundo. Estes são verbos conjugados por Patrícia Osses em muitos de seus trabalhos. Em “Meca” (2006), instalação realizada no Paço das Artes, no Rio de Janeiro, sua ação única foi elevar o piso da sala de exposição, mantendo o mesmo padrão de revestimento. Com isso, ao adentrar a sala, o espectador apenas podia circundar o piso elevado. O mesmo procedimento ocorreu em “Apto. 54 – Antes e Depois” (2003). Um díptico fotográfico apresenta uma sala em que o piso foi elevado até a altura da janela. Antes, o espaço tal qual existia, no regime ordinário de disposição das coisas: uma poltrona, um piano, um sofá. Depois, o piso elevado sob a poltrona, que também se ergue. O que perturba nestas duas fotografias talvez seja exatamente o que não se encontra em nenhuma delas: a ação da artista, o trabalho dos pedreiros, enfim, a passagem do ordinário ao extraordinário, do pretérito para o presente. Ou então, a própria passagem do tempo. A diferença notável entre uma foto e outra, no entanto, parece ser apagada pelo silêncio que omite o trabalho envolvido. É como se nada tivesse ocorrido. Mas justo na passagem entre uma e outra, entre o antes e o depois, tudo se passou. Um caminho para pensar o trabalho de Patricia Osses talvez seja o das passagens. Em diversos momentos, ela parece interessada em expor a passagem, um antes e um depois, incorporando a dimensão do tempo em sua obra. Por isso mesmo não vemos pinturas, nem uma fotografia no singular. São sempre fotografias, registros em vídeo, livros de artista, enfim, a possibilidade de uma sequência, de uma narrativa no tempo para dar conta de um espaço falido, daquilo que escapou do homem, que se desfez com seu gesto. * Fernando C. Boppré (fernando.boppre@gmail.com)
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