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GUERRA, VIAGEM E ÊXTASE: O ENCONTRO DE TAUNAY COM A LARVA
Por: Sérgio Medeiros

Sérgio Medeiros é responsável pela nova edição das Memórias (Iluminuras, 2005), é autor do livro de poesia Alongamento (Ateliê, 2004) e organizador de Makunaíma e Jurupari: Cosmogonias Amazônicas (Perspectiva, 2002). Leciona literatura na UFSC



“(...) por toda a parte”, afirma o escritor Visconde de Taunay (1843-1899), na abertura de seu livro mais conhecido, Inocência, o viajante vislumbra “a vegetação virgem, como quando aí surgiu pela primeira vez”. Tal era quase sempre, segundo esse escritor, a perspectiva do antigo e solitário viajante do sertão, e também a do soldado, no século XIX, período histórico retrato por Taunay nessa e em outras obras ambientadas na província de Mato Grosso, nos anos 1860 e 1870.

Nesse sertão deserto os viventes não são, senão raramente, humanos.

Existe de fato uma fauna exuberante, composta tanto de animais selvagens como de animais domésticos, na terra, na água e no ar, ou no fogo (os que são comestíveis), ao longo do percurso que vai do litoral paulista aos “fundos sertões”, na fronteira do Império do Brasil com a República do Paraguai, à época da chamada Guerra da Tríplice Aliança. É o que nos mostra a obra do Visconde de Taunay, em particular suas Memórias, cuja última edição, por mim preparada, foi lançada em 2005, pela Editora Iluminuras de São Paulo.

Dentre os viventes que cruzaram a rota do Visconde de Taunay, ele próprio viajando montado num burro genioso que merece ser mencionado, gostaria de destacar pelo menos um animal, cuja característica mais evidente é a sua pequena dimensão, mas que foi aquele que suscitou, no autor de Inocência e A retirada de Laguna, uma interessante reflexão sobre a guerra e suas estratégias de ataque e defesa. Foi na realidade uma revelação, um êxtase no nível do chão, pois implicou, como descreve Taunay, estirar-se na terra, por longas horas. O animal em questão, encontrado ao final de uma longa viagem pelo Brasil desconhecido, é nada menos que um inseto, a larva de um inseto. Esse inseto encenou a guerra para Taunay e lhe deu uma aula precisa, minuciosa, detalhista, que merece ser relembrada, pelas razões que aqui exporei. Esse inseto foi seu mestre, preparou seu espírito para a dolorosa aventura que ele viveria a seguir, quando cruzou a fronteira, ou as fronteiras, não entre o humano e o não-humano, mas entre o Império do Brasil e a República do Paraguai. Nessa experiência, que faz a ponte entre a larva (o não-humano) e o soldado (o humano), toda a obra de Taunay beberia.

Para falar desse inseto, falarei antes de outros animais, animais que parecem contemporâneos nossos, mas que também podem, em alguns casos, ter vivido no século XIX, o século da Guerra do Paraguai e do Visconde de Taunay.

Dois animais do século XIX, mas não exclusivamente, o flamingo e o ouriço, ou porco-espinho. Esse ouriço intratável, como descobriu Alice ao entrar -- após uma viagem para baixo, para dentro da terra -- no País das Maravilhas, esse animal, o ouriço, não obedecia às regras do jogo, desenrolava-se e ia embora campo afora. Assim Jacques Derrida descreve essa experiência da famosa heroína de Lewis Carroll: “Lembrem-se do terreno de croqué sobre o qual as ‘bolas eram ouriços vivos’. Alice queria ‘bater no ouriço’ com o flamingo que ela tinha nos braços e que se virava então para olhá-la na face (‘look up in her face’) até fazê-la explodir de rir.”

E o filósofo se pergunta: “Como pode um animal olhar vocês na face?” Ou seja, existe o ponto de vista do animal, e ele pode nos olhar como ninguém mais olha. E ele pode também olhar a guerra, como Taunay descobriu e descreveu, mas temos agora de esclarecer de que perspectiva ele o fez, se da perspectiva exclusivamente animal ou se da humana.

* * *

Citei acima uma passagem de um livro breve de Derrida, intitulado em português O animal que logo sou (A seguir), gostaria agora de me deter num texto ainda mais breve e não menos denso do mesmo autor, intitulado “Che cos’è la poesia”, incluído no livro Points de suspension, que consultarei na edição original. Ao falar do ouriço (“hérisson” em francês) que rola como uma bola na estrada, durante uma viagem que o filósofo fez entre a cidade fortificada e a natureza selvagem, ou entre o litoral e o sertão, para usarmos a dicotomia cara ao Visconde de Taunay, Derrida propõe uma metáfora muito rica que traduz algo de essencial, o impulso à manipulação, ao toque prolongado, que é inerente a toda leitura, pois é sobretudo de leitura que trata Derrida aqui, especialmente da leitura de poesia. Estamos em suma diante de um ouriço verbal, cuja aparição se dá na rota da tradução, que leva de uma língua a outra. “On voudrait le prende dans ses mains, l’ apprendre et le comprendre, le garder pour soi, auprès de soi”, afirma Derrida ao propor esse ouriço como a própria definição de poesia. O ouriço poderá ferir como poderá, célere, rolar além da mão. Poderemos soltá-lo antes de apanhá-lo. Uma bola, um brinquedo que lança raios ou espinhos para fora, em todas as direções. Schlegel e Novalis, como sabemos, associaram o ouriço, ou o porco-espinho, segundo outra tradução possível, ao fragmento como modo de expressão. No fragmento 206 de Athenäum, lemos: “Um fragmento tem de ser como uma pequena obra de arte, totalmente separado do mundo circundante e perfeito e acabado em si mesmo como um porco-espinho.” À margem desse fragmento, Novalis anotou: “O porco-espinho – um ideal.” O fragmento é um ouriço assim como a poesia é um ouriço – o que prova uma coisa: não importa a extensão física da poesia, ela é breve, uma fração, um fragmento. A compreensão que temos dela talvez dure um só instante fugaz. O ouriço parece estar associado a um tipo de pensamento que já foi considerado não-sistemático, ingênuo, caótico, mas que hoje não é mais avaliado assim; o ouriço é essa experiência do “apreender-largando”, do “prender-soltando”, da aproximação-separação-fuga-desapontamento que define talvez a própria experiência de consumir poesia, esse ato temerário ou complicado de engolir um ouriço. (Não quero pensar, agora, no terrível menino-porco-espinho de Lewis Carroll, o garoto sexuado que espeta a todos nos seus acessos de irritação violenta.)

O livro de Derrida A farmácia de Platão (uso o termo livro porque esse ensaio, que abre o volume La dissémination, foi lançado no Brasil num volume independente) começa, convém lembrar, falando exatamente de manipulação do texto (que pode ser ouriço ou não, pode ser mais prosa que poesia) enquanto método de leitura. Em suas próprias palavras: “Reservando sempre uma surpresa à anatomia ou à fisiologia de uma crítica que acreditaria dominar o jogo, vigiar de uma só vez todos os fios, iludindo-se, também, ao querer olhar o texto sem nele tocar, sem pôr as mãos no ‘objeto’, sem se arriscar a lhe acrescentar algum novo fio, única chance de entrar no jogo tomando-o entre as mãos. Acrescentar não é aqui senão dar a ler. (...) Seria preciso, pois, num só gesto, mas desdobrado, ler e escrever.”

Gostaria de seguir esse método de leitura e deixar minhas impressões digitais (porém não o meu sangue) no inseto descrito de maneira ágil, acurada e detalhista pelo Visconde de Taunay, nas suas Memórias. Repito que ele redigiu avant la lettre uma página antológica à moda de Francis Ponge. A literatura posterior do Visconde de Taunay, como já mencionei, irá beber nessa fonte, a viagem e a guerra, a viagem para o guerra, a guerra e a viagem para casa. Os tipos humanos e não-humanos dos seus romances e dos seus contos provêm desse ir e vir entre litoral e sertão, que é, primeiramente, campo virgem e, a seguir, também palco de batalha.

Esse campo de batalha é, num primeiro momento, uma miniatura, mas implica ações complexas e precisas. Como um mecanismo, uma engenhoca mágica que costumamos encontrar nos contos fantásticos do escritor alemão Hoffmann.

* * *

“Todo o interior do Brasil se abria ante os nossos passos”, conta o memorialista, ao falar de si mesmo como jovem militar, “nada mais, nada menos, e, certamente, a vastidão tem em si inúmeros atrativos e grandioso prestígio, a que se uniam pretensões científicas de certo alcance, fazer coleções de minerais preciosos, ou então descobrir, senão um gênero novo de planta, pelo menos uma espécie ainda não estudada e classificá-la – sonho, enfim, de mocidade em que havia bastante de pedantismo.”

Das precisas descrições que fez Taunay da nossa flora e da nossa fauna, destaco, como já anunciei, este fragmento (fragmento é ouriço, poesia é ouriço) sobre a “máquina de guerra” de um inseto:

“Outro passatempo meu no melancólico e penoso acampamento do Coxim, à margem direita do largo e límpido Taquari, consistia em seguir e observar de perto o curiosíssimo trabalho do formica leo, inseto sobremaneira freqüente naquelas paragens.

“A larva é esbranquiçada, bastante parecida com o cupim, pesadona de corpo e com um abdome grosso e estufado, que lhe não permite translação rápida e até moderada locomoção. Nestas condições, difícil lhe fora prover os meios de subsistência, de modo que, pungida pelo aguilhão do voraz apetite, peculiar ao seu estado de transição, se vê obrigada a recorrer à mais engenhosa e bem-concebida das armadilhas, de feição para assim dizer científica.

“Nesse intuito, traça no solo areento e fofo uma circunferência de quase meio palmo de diâmetro, curva fechada que descreve, com o maior rigorismo geométrico, de diante para trás, isto é, recuando sempre, desde o ponto de partida até voltar a ele.

“Em seguida, põe-se a cavar de dentro da linha para o centro, atirando fora, por um movimento súbito e balístico da cabeça articulada, a terra sacada metódica e progressivamente no seguimento de linhas que, a princípio, parecem ao observador circulozinhos concêntricos, mas, melhor examinadas, são voltas de uma espiral cada vez mais apertada para o centro.

“E assim aprofunda rapidamente um funilzinho, desde logo feito com tal arte e jeito, que qualquer objeto miúdo que caia nas bordas, rola prestes para o fundo.

“Findo esse cone invertido e hiante, trata de alisar zelosamente as beiras, destruindo as mais ligeiras asperezas, e, com o entulho saído da abertura, forma vistoso e bem-socado terrapleno, como que a convidar despreocupados e amenos passeios; depois, agacha-se em baixo e, pacientemente, espera a presa que o acaso puser à sua disposição.

“A máquina está montada; só faltam as vítimas!

“Venham, então, formigas e outros insetozinhos caminhando despreocupados e alheios ao perigo que os espreita, e impreterivelmente se despenham pelos inopinados e pérfidos declives, sendo incontinenti apreendidos com verdadeira ferocidade e trucidados sem demora pelo astuto vencedor, que lhes suga a linfa vital.

“Terminado o triunfal festim, o formica leo, segurando o mísero cadáver com as mandíbulas, o sacode fora, ou, quando pesado demais, o arrasta para longe, subindo e descendo a recuanços, e procedendo sem detença à reparação dos estragos produzidos pelas peripécias da queda e da luta.
“Às vezes – e não raro assim sucede – a preiazinha não é de pronto precipitada ao fundo e consegue agarrar-se à parede, em situação mais ou menos distante do ávido algoz; este, então, com muita destreza e boa pontaria, lhe atira grãozinhos de areia, que apressam, para um, o desenlace da catástrofe e, para outro, a posse da apetecida caça.

“Rápido e certo é, em geral, o triunfo do encapotado salteador, até com insetos de muito maior vulto, gafanhotozinhos e grilos, que ficam atarantados com o tombo e a violenta agressão; mas também acontece que coleópteros (cascudos), vindo abaixo, ao rastejarem por aí, dão a morte ao formica leo, o estrangulem e rapidamente se safam daquele abismozinho, que lhes ia sendo fatal.

“Sem exageração posso afirmar que passei, acocorado ou sentado no chão, largos trechos do dia, acompanhando com viva atenção todas aquelas cenas de perfídia e morticínio, e esperando, com pachorra igual à do interessado, que alguma incauta criaturinha viesse figurar nesse incidente dramático, ainda que minúsculo, da natureza.”

Repetindo Taunay, poderíamos exclamar: “Como tudo isso é curioso!” O inseto elabora no chão uma armadilha engenhosíssima, de feição científica, pois bem-sucedida em sua forma e finalidade. Arte e ciência, mas também perfídia. O inseto fez uma obra admirável, mas essa obra é desleal e destruidora, como, alguns parágrafos à frente, afirmará o escritor. Antes, o inseto já havia sido comparado a um salteador. Mas as estratégias e os recursos do inseto, ou larva, são infinitos e não podem ser descritos, não terminam nunca de ser descritos. Se Giorgio Agamben afirmou em Infância e História que os “animais não entram na língua: já estão sempre nela”, poderíamos, de nossa parte, dizer: os animais não entram na guerra: já estão sempre nela. A prova mais cabal é a arte e o engenho de uma larva, que nasce já guerreira bem equipada. A larva é um soldado, e, mais do que isso, um exemplo para todos os soldados. Como é possível? Será assim por que todos os animais já estão sempre na língua? Será que, para eles, a guerra já está declarada desde sempre, a língua a declara desde o início? “O homem, ao invés disso”, pondera Agamben, “na medida em que têm uma infância, em que não é já sempre falante, cinde esta língua una e apresenta-se como aquele que, para falar, deve constituir-se como sujeito da linguagem, deve dizer eu.”

Do trecho citado, gostaria de chamar a atenção para o sumiço dos cadáveres. A larva mata, depois oculta os cadáveres, a fim de que novas vítimas se aproximem do seu funil, da sua máquina de guerra, locução usada por Taunay, mas que nos parece muito contemporânea. Essas novas vítimas devem imaginar, no entanto, que passeiam num terraço. Assim o diz Taunay, colocando em cena uma lógica talvez “nazista”, sobretudo no que se refere, mais especificamente, à desaparição total do corpo morto. Extermínio que não deixa traços, mas espalha bem as cinzas.

Depois de considerar horários de trabalho da larva e os seus momentos de descanso, Taunay descobre que:

“Não duvido nada que essas larvas untem as bordas e paredes do funil com algum líquido visguento, secretado de propósito para tornarem a superfície mais escorregadia e lisa, e assim impedirem paradas, que não só obrigam a contínuas e laboriosas reparações, como dão à presa tempo de voltar a si da cruel surpresa e preparar-se para heróica defesa.”

Decididamente, o formica leo não é um pobre bichinho. É um ávido algoz. E sequer é um bicho completo, locomove-se com certa dificuldade, por assim dizer, e é caracterizado por apetite voraz associado ao seu estado de transição. É um ser em transformação. Uma larva. Não se pode descrever uma larva, esse misto de artista, engenheiro, cientista, soldado, salteador etc., pois ela ainda não sabe quem é ou o que virá a ser, a menos que voluntariamente consiga desde sempre ser tudo isso junto. Curiosamente, o jovem Tenente Taunay, nesse exato momento de sua vida, era igualmente larva, larva de homem, vivendo num estado de transição e agindo, simultaneamente, como cientista (antropólogo), artista (desenhista), soldado (estava na guerra), dândi (passeava) etc. Recusa, porém, a imagem de salteador. Seu patriotismo, sua devoção às causas do Império, à pessoa do Imperador, de quem seu pai era amigo pessoal, tudo isso somado não lhe permite assumir essa interpretação que nós, hoje, revendo a história do Brasil, com razão ou sem razão, fazemos da investida guerreira contra o Paraguai – foi um assalto, uma ação criminosa, um ato desleal. Agiu-se então como larva. Pura larva que nasce guerreira, que nasce junto com a declaração de guerra.

Em dois parágrafos das suas Memórias, Taunay-larva confessa que não colaborou com o salteador, que não se tornou autenticamente larva, daí a importância do hífen que une e separa o humano e o não-humano na expressão Taunay-larva:

“E aí me acudiu à lembrança certo episódio, não sei se real, se de romance lido outrora, de perverso assassino que, privado das pernas desde o nascedouro, atraía, por meio de bem-engendrada cilada, ao alcance dos pujantes braços, transeuntes e viajantes, e lhes torcia o gasnete, sem que pudessem bradar por socorro ou tentar a menor resistência, tais o pasmo e o horror que lhes tolhiam a voz e os membros!

“Também, dominado por aquela insistente recordação, jamais recorri para a obra desleal e destruidora dos formica leo, encaminhando, só pelo prazer do entretenimento, podres bichinhos à perdição. Contemplava até um tanto emocionado os valentes esforços que faziam em tão dolorosas e terríveis contingências, e não raramente auxiliava inespercdas salvações.”

O monstro humano e a larva são semelhantes, no aspecto físico e moral. O monstro humano, na sua cidade fortificada, não possui pernas, possui braços fortes e agarra ensandecido os nômades que passeiam pela estrada que vai do litoral ao sertão. O modo de vida sedentário, isto é, civilizado, implica certamente uma larva, um monstro guardado em casa. Essa idéia impressionou Taunay. A larva, enquanto metáfora, é todo assassino perverso, na guerra ou na paz.

* * *

Taunay, nas passagens citadas, descreve de modo exaustivo o "estado de larva”, o estado de transição. O estado de larva (muito laborioso e impossível de ser contido numa descrição de poucos ou muitos parágrafos, de modo que toda descrição, neste caso, será sempre incompleta, a larva está de mudança e em mudança) é também, em certa medida, o estado do soldado viajante quando ele se encontra estacionado, de tocaia ou matutando a respeito do inimigo, e é igualmente o estado do viajante em geral, que, imóvel na beira da estrada, precisa, para sobreviver, lançar mão de diferentes recursos, num esforço devotado à elaboração da mais perfeita armadilha: ciência, arte, maldade, violência etc., para depois, alimentado, prosseguir sua marcha. A grande diferença é que a larva é sedentária, embora vivendo no sertão, não na cidade fortificada, que expele os nômades.

A larva, a visão da larva e também, a partir disso, a situação – que tentei imaginar ou sugerir aqui -- de homem-larva (penso agora, talvez erroneamente, na técnica discutida por Henri Michaux, a de entrar nas coisas, a de ser as coisas, coincidindo espiritualmente com elas, por exemplo, uma maçã: “si je pouvais coïncider d’esprit avec qui que ce soit, je serais immédiatement subjugué et avalé par lui et entièrement sous sa dépendance”), enfim, a larva foi um dos êxtases mais produtivos de Taunay, em sua passagem pela Guerra do Paraguai. Ele viu na larva o soldado e no soldado a larva e assim infinitamente, o humano “coincidindo” com o não-humano nos fins do Brasil.




BIBLIOGRAFIA

AGAMBEN, Giorgio. Infância e História: Destruição da Experiência e Origem da História, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2005

--------------------------. L’Aperto: L’ uomo e l’ animale, Turim, Bollati Boringhieri, 2003

DERRIDA, Jacques. O animal que logo sou (A seguir), São Paulo, Editora Unesp, 2002

------------------------. Points de suspension: Entretiens, Paris, Galilée, 1992

------------------------. A farmácia de Platão, São Paulo, Iluminuras, 1991

LÉVI-STRAUSS, Claude. O pensamento selvagem, Campinas, Papirus Editora, 1989

-------------------------------. “Totemismo hoje”, in Lévi-Strauss, Coleção Os Pensadores, São Paulo, Abril S. ª Cultural, 1989

LYOTARD, Jean-François. Heidegger e os judeus, Petrópolis, Vozes, 1994

MICHAUX, Henri. Plume (précédé de Lointain intérieur), Paris, Gallimard, 2002

NIETZSCE, Friedrich. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro, Companhia das Letras, São Paulo, 1992

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SCHLEGEL, Friedrich. O dialeto dos fragmentos, São Paulo, Iluminuras, 1997

SLOTERDIJK, Peter. Regras para o parque humano: uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo, São Paulo, Estação Liberdade, 2000

TAUNAY, Visconde de. Memórias (organização: Sérgio Medeiros), São Paulo, Iluminuras, 2005

 

 

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