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O poeta Douglas Diegues, nascido no Rio de Janeiro e radicado em Assunção, Paraguai, é considerado hoje o principal expoente do "portunhol selvagem", um movimento que reúne artistas latino-americanos que utilizam uma linguagem híbrida, mescla de português com espanhol e guarani, com leves pitadas de inglês. Ou seja, em seus livros e suas performances, esses artistas empregam uma língua anárquica que paira acima das fronteiras geográficas e culturais. Na realidade, eles possuem uma fala, sempre verborrágica e humorada, mas não uma língua. 1) Douglas, o que é e o que significa exatamente o portunhol selvagem? É possível, ou desejável, “oficializar” o portunhol selvagem, transformando-o, por exemplo, numa língua de fato? DD: Oficializar el portunholito selvagem es uma de las formas que podem ser utilizadas para tentar suicidárlo como a um Van Gogh triplefrontero! Vejo el portunhol selvagem apenas como um fenômeno estético nuebo nel atual panaroma. Uma forma nueba de dizer coisas viehas y nuebas de miles de maneras próprias diferentes. Es uma lengua que solo se pode entender usando el korazón. Brota del fondo del fondo de cada um de maneira originale. Es uma lengua bizarra, feia, bela, selvagem, provinciana-kosmopolita, rupestre, post-histórika, sem data de vencimento. Non se trata de mera brincadeira que deu certo. Es uma aventura literária. Um dialeto feliz que non necessita mais ser feliz. Um karnabal cumbiantero de palabras conocidas y desconocidas. Uma liberdade de linguagem hermoza que nunca caberá inteira em los espelhos y molduras de ningum pombero-system literário oficial... 2) Se lhe dissesse que falar e escrever portunhol selvagem é errado, o que você diria? DD: Diria que la afirmacione es absolutamente korreta!!!!!!!! 3) Sabe-se que toda língua possui sua gramática interna e assim funciona. O portunhol selvagem se caracterizaria por um “freestyle”. Poderia comentar isso? DD: Repito mais uma vez e repetirei quantas fueren necessárias: gramatificar el portunholito selvagem es como querer ponerlo em uma gaiola gramatical. Aprendi com Guimarães Rosa y com Manoel de Barros y com Sérgio Medeiros que la gramática e suas leyes son uma espécie de inimiga number one de la liberdade de la lenguagem verbocreadora mais conocida como "poesia". Cada artista de la palabra que se aventure por las selvas de los portunholitos salbahes haberá de inbentar sua gramátika própria, personal, intransferíbelle. Porque el portunhol selvagem romperá sempre los esquemas del pensamento único y de las buenas intenciones unificadoristas de los kapos gramátikos. Ya habemus las gramáticas de las lenguas portuguesas y espanholas. Habemus em Paraguaylândia la gramática del guarani. Penso que los gramáticos brasileiros prestariam um hermozo servicio a la cultura brasileira e gluebolandensis se de repente comenzassem a estudar y ayudar a poner em libro las gramáticas de las mais de 280 lenguas, idiomas ou dialetos de las culturas ameríndias que todavia non foram varridas del Mapa do Brazil... Non sei si o MEC ou o MINC realizam ou fomentam algum proyecto similar. Hay um amplo desconocimento de las lenguas, gramáticas y mitologias ameríndias de las culturas pré-anchetianensis que habitam o território que hoje se chama Brasil... 4) Fale um pouco mais sobre o seguinte declaração, que está na introdução do seu livro Uma Flor na Solapa da Miséria: "(...) Us poetas de vanguarda primitibos, ancestrales de los poetas contemporâneos de vanguarda primitiba, non conociam u lenguage poético, justamente porque ellos solo conocian un lenguaje, el lenguaje poético. Con los habitantes de las fronteras du Brasil com u Paraguay acontece mais ou menos a misma coisa. Ellos solo conocen u lenguaje poético, porque ellos non conocen, non conhecem, otro lenguaje(...)”. Não é o mesmo que dizer que não há fronteira entre lingüística e literatura? DD: Sim y non y non y sim. Avanti: antes de la chegada de los delirantes espanholes y portugueses com suas rarófilas karavelas, los que estavam nel kontinente amerikano hablabam lenguas várias, de orígenes próprias y en gran parte desconocidas, muy parecidas mas bem diferentes entre si y de variadas voltagens poétikas de índoles vanguardistas. Destraduzindo: non había lenguaje poétiko y lenguaje non-poétiko como ya se verificava nel mundo oropeu. Em Oropa, sim, había ya um conceito de linguagem poética, gêneros poéticos y literários, figuras de linguagem, etc. Pero em las selvas ameríndias pré-oropéias non se conocia aun ningum concepto de linguagem poética outro justamente porque solamente habiam conocimento del lenguaje poétiko que hablabam y hasta hoy dia siguem hablando em las selvas triplefronteras... 5) Você representa a editora YiYi Jambo, sediada em Assunção, Paraguai, que faz livros artesanais. Alguns projetos são de inclusão social: a editora compra papelões de catadores que trabalham nas ruas e, ao mesmo tempo, aceita colaboradores para confeccionar e comercializar o material artístico manufaturado. Isso caracteriza, na prática, uma literatura engajada? Existe alguma crítica aos aparelhos de produção cultural ou é uma aposta no diferente? DD: Yiyi Jambo nasce em Paraguay com apoyo cumbiantero de los amigos de Eloisa Cartonera: Cucurto, Maria, Barilaro, Ramona, Cristian di Nápoli, Piña, Julián el portero salvahem, Fabian Casas, que publicaram mio segundo libro, Uma Flor, em Buenos Aires. Quando estive em la kapital Argentina nel 2005, além del permanente afeto caliente, eles me ensinaram como se baila cumbia villera y como se hace um libro cartonero y nel 2006 me convidaram para lanzar la segunda edicione em la Feira del Libro bonaerensis nel 2006 com auspício de la Embaixada do Brasil. Durante esas idas a Baires, Cucurto sempre me perguntava porque yo non fundava um sello editorial cartonero em la frontera. Enton decidi inventar um nuebo comienzo para mim em Paraguaylândia. Me mudei para Asunción. Y um dia lluvioso fundamos Yiyi Jambo, morava enton nel barrio Sajonia, em parceria com el broder Domador de Yakarés y com el apoyo de diversos nuebos escritores paraguayos como Cristino Bogado, Edgar Pou, Javier Viveros y del grande poeta post-porno-vanguardista Jorge Kanese. Estamos em atividade há um ano. Publicamos 25 títulos hasta el momento. Compramos el cartón de los catadores a mil guaraníes el kilo. Vendemos cada exemplar aqui a 15 mil guaranies. Los que quiserem venderlos, ganan 5 mil guaranies por exemplar. Estamos comenzando. Queremos gerar empregos livres y rendas alternativas a los que topem vender los libros cartoneros de Yiyi Jambo com capas que nunca se repetem pintadas a mano por el Domador de Jacarés. Non somos contra nada. Non criticamos velada ou desveladamente a nadie nem a ninguma instituicione. Si hay luta, es em favor de la inclusión cultural y econômica de los hodidos y malpagos. Non tenemos apoyo financeiro de ninguém. Estamos comenzando desde la nada. Recentemente, indicados por Cucurto, Wisconsin University nos hay encomendado um par de títulos y querem também poner las fotos de las capas pintadas por el domatore nel site. Queremos publicar los novíssimos poetas y narradores paraguayos jovenes ou non, desconocidos ou non, pero que tengan vuelo-próprio. Publicamos durante el evento Kapital Mundial de la Ficción la antologia 4 Yiyis, organizada por el poeta, crítico, tradutor, filósofo y narrador Cristino Bogado, que reúne poemas de 4 jóvenes escritoras paraguayas: Carla Fabri, María Eugenia Ayala, Giselle Caputo y Mónica Kreibhon. Em breve publicaremos Russian Roulette, el primeiro libro de Maggie Torres, una de las grandes sorprezas que brota de la nada como flor de las calles de pedras del barrio Trinidad em la zona del rarófilo Jardim Botânico de la selva urbana de la novíssima poesia parawayensis. Enfim, queremos poner cumbia cartonera em Asunción y desde Asunción intervenir em la história y la cultura sudakalandensis a la vez em parceria com los amigos de Eloisa Cartonera y de los outros sellos cartoneros que se multiplicam kontinente amerikano adentro y afuera. 6) Como é a relação da YiYi Jambo com as outras editoras envolvidas com o portunhol selvagem, como a Eloisa Cartonera, de Buenos Aires? E qual é a sua relação com sites e blogs? DD: Funciona numa boa. Estamos para somar y celebrar. Non nos interessa competir. Nos interessa criar juntos. Mutiplicar la buena onda cartonera por todas las partes, cidades grandes e pequenas. Non nos interessa acumular lucro. Non temos nem conta bancária. Tudo lo que tenemos es nostro amor-amor. La energia del amor-amor. La cumbia del amor-amor. Ou como prefere dizer el domatore: non temos nada para dar, pero tenemos tutti kuanti para oferecer. 7) Tanto o autor Douglas Diegues como o narrador de El Astronauta Paraguayo se referem a suas produções como “vanguarda primitiva”. O que isso significa? DD: Non significa nada. Y pode significar algo. Algo no plural. Algo que non se puede explicar sem reduzir a algo. La energia original de los Orígenes. El poder de la inbención de las palabras sinceramente sinceras. Algo que non pode ser reduzido a um pensamento único. O antigo y el agora a la vez. El futuro mezclado al passado em um libro. La inbención em vez de la cópia. La liberdade sem nome. La liberdade ensaboada. La liberdade xamanístika celebratória de la tatoo ro'o de la vida. El verso a las vezes como um besso sinceramente sincero que nim las mais hermozas y caras bandidas vendem. El freskor de llamas y rocio de las mentiras verdadeiras escritas ou pintadas com la sangre del próprio korazón. 8) Críticos literários e pensadores, como Barthes, Derrida e Foucault, anunciavam a morte do autor e declararam a autonomia da escrita e da linguagem. O que é para você esse distanciamento entre autor e obra? DD: Respeito y vez em quando leio algo de los três kapos acima citados, mas tudo está mesclado bulliendo dentro de mio korazoncito de astronauta de los chacos. Aprendi com Lezama Lima que um poeta deve se aproximar de las cosas por apetito y deve se afastar por repugnância. Me sinto distante y próximo a la vida y a las palabras. La ficción y la história hoy parecem la serpiente Oroboros que se alimenta de la propia kola. Manhana talvez me parezcam outra coisa. Prefiro desejar vida longa y mucha cumbia a la post-história y a la liberdade del lenguaje. 9) Seu trabalho não correria o risco de encontrar escassa ressonância entre os leitores, por ser pouco “decifrável”? DD: Tento poner toda la ternura caliente que possa em cada uma de las linhas que escrevo. Amor amor sinceramente sincero como Kataratas del Yguazú. Por outro lado, non adianta apenas entender ou non. Entender ou non es muyto cômodo. Por isto digo que hay que sentir também. Ir além. Ousar nuebas maneiras de leer. Usar el entendimento. Y usar el non-entendimento. Non es necessário ser um Péle ou um Papa para entender sem entender estilo San Juan de la Cruz que as vezes ficava non entendendo y toda scienzia transcendendo. Blefo el sentir como post-entendimento. E invento uma berdade falsificada: el astronauta paraguayo es um libro para ser post-entendido. Um libro que vuela. Um libro que foi lido primeiro em Santa Catarina y después publicado com prólogo de suo proto-leitor, el poeta Sergio Medeiros, que segundo me dijo el poeta Manoel deb Barros, es uno de los rarófilos gênios com quem ele conviveu durante el tempo em que Sergio morou em la capital de Mato Grosso do Sul. Ah... Sergio Medeiros y Dirce Waltrick do Amarante também colaboraram com 100 dólares para la publicacione de la primeira edicione por Yiyi Jambo em Asunción. DD: Amóntema la literatura. Restam apenas miles y miles de mil-y-unas ficciones. Hasta las mais recentes reediciones de los aburridos diccionários jurídicos, que solamente estudantes de derecho te van a comprar, son gêneros ficcionales. Parece mentira, mio amigo, pero son tutti ficciones. Ficciones y vaidades. Ficciones y mentiras. Ficciones y verdades. Ficciones y money. Ficciónes dentro y fuera de los libros. Algumas geniales. Otras aburridas. Otras bestiales. Pero hay miles de cosas muy interessantes. Tudo que se diz y se desdiz y se contradiz y se transdiz y se non-diz. Algunos libros vendem bem. Outros non vendem. Algumas librerías sofisticadas parecem padarias com açougues y lanchonete. La literatura parece às vezes um Circo Literário financiado por máfias. Pero non es assim nem assado. Es mais de lo que possa aparentar, porque acontecem miles de coisas dentro y fora del circuito del tal circo. Por isto digo que non existe mais literatura nel kalor del siglo XXI. Es como se a literaura houbesse morrido y de suo cadáber brotassem miles de literaturas, miles de gêneros ficcionales, uma abundante y expressiva diversidade llena de um pouco de tudo y nada y etc...
Informações sobre o Evento “Semana Ousada de Arte” na Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina- site www.secarte.ufsc.br e http://semanaousadadearte.blogspot.com/
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