A Melancolia e sua relação com a estética

Entrevista com a Professora Marie-Claude Lambotte
por Pedro Heliodoro M. B. Tavares

 

Florianópolis, 18 de outubro de 2008

Marie-Claude Lambotte estuda, há várias décadas, o discurso do sujeito melancólico, sendo, atualmente, uma das maiores especialistas francesas no tema. É psicanalista, professora de psicopatologia na Universidade Paris 13 e diretora de pesquisa na Universidade Paris 7. Foi, igualmente, diretora de programa no Colégio Internacional de Filosofia, de 2001 a 2007. Seu importante trabalho de reflexão encaminha-se, ultimamente, para questões próprias à estética filosófica, como as relativas à origem e à intencionalidade estéticas, usando, como contraponto, o fazer artístico.

Marie-Claude Lambotte esteve na Universidade Federal de Florianópolis, em dezembro de 2007. Esta entrevista foi concedida por e-mail ao site Centopéia, em setembro de 2008.

Suas obras recentes sobre a melancolia:

- Esthétique de la Mélancolie, Aubier-Flammarion, Paris, 1999, 2ème édition.
Traduzida em português por P. Abreu, Estética da Melancolia, Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 1997.
- Le discours Mélancolique. De la phénoménologie, Anthropos, Paris, 2003, 2ème édition.
- Traduzida em português por S. R. Felgueiras, O discurso melancólico, Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 1997.
- La mélancolie. Études cliniques. (A melancolia. Estudos clínicos). Anthropos, Paris, 2007.
- “Le narcissisme et la question de l’originaire”, Psychanalyse. (O narcisismo e a questão do originário », Psicanálise), 9, Érès, Paris, 2007.
- “L’objet du mélancolique” (O objeto do melancólico), Essaim, 20, Érès, Paris, 2008.

P. H. M. B. Tavares – A senhora trabalhou a melancolia através dos pontos de vista da história da filosofia e da história da psiquiatria. Mas, sendo psicanalista, sua abordagem encontrou apoio, sobretudo, na sua experiência clínica. Segundo a sua opinião, seria então pertinente comparar a entidade nosográfica da melancolia com o modelo dos distúrbios depressivos muito usado na cultura psiquiátrica?

M. C. Lambotte – A dificuldade consiste em que, precisamente, a melancolia não parece constituir uma “entidade nosográfica” bem assegurada tanto do lado da psiquiatria quanto do lado da psicanálise. A história da psiquiatria demonstra bem a variação de sua definição. E. Kraepelin, por exemplo, a considerava, nas primeiras edições de seu Traité de Psiquiatrie (Tratado de psiquiatria), como uma doença autônoma, independente da psicose maníaco-depressiva. Foi apenas na oitava edição de seu Traité (Tratado) que introduziu a melancolia nesta categoria de psicose, tornando-a uma subcategoria autônoma. Quanto aos psicanalistas, como Freud e Karl Abraham, dedicaram-se a mencionar a diversidade de seus signos e, conseqüentemente, a dificuldade de sua classificação nosográfica. Desta forma, Freud escreve, no início de seu artigo “Deuil et mélancolie” (Luto e melancolia) (1917): “A melancolia, cuja definição conceitual é flutuante, mesmo na psiquiatria descritiva, sobrevém sob formas clínicas diversas cujo agrupamento numa unidade não nos parece segura, e entre as quais algumas fazem pensar antes em afetações somáticas do que em afetações psicogenéticas”. Significa dizer a hesitação que sentimos diante de uma classificação geralmente muito precipitada. E, para seguir Freud, detive-me então em revelar os mecanismos psiquiátricos subjacentes à doença, antes do que querer ordená-la logo no quadro das psicoses. Acredito que, do ponto de vista dos mecanismos que interessavam imensamente a Freud, temos todo interesse em continuar a interrogar esta categoria de “neurose narcisista”, da qual ele havia feito da melancolia o paradigma, independentemente das neuroses e das psicoses (“Névrose et psychose” 1924) (Neurose e psicose). É esta atitude de pesquisa que tento legitimar no Discours Mélancolique (Discurso Melancólico).

P. H. M. B. Tavares – Sim, mas, entretanto, a psicopatologia psicanalítica propõe classicamente três modelos estruturais: a neurose, a psicose e a perversão. Partindo disso, poderíamos pensar tipos clínicos em cada estrutura, e há autores que não hesitam em incluir a melancolia dentre as psicoses. O que pensa a senhora a este respeito?

M. C. Lambotte – Trata-se de saber o que se entende por “psicose”. Quando basta observar episódios delirantes num paciente para logo torná-lo um psicótico, deixa-se simplesmente de ouvir o paciente mais adiante e assim se impõem todas as combinações teóricas frágeis próprias às psicoses, sem se questionar mais. A interrogação essencial deveria considerar a figura da castração, ou melhor, a figura da negação, específica da melancolia. E não parece que se trate, conforme se repete abusivamente, da privação do Nome-do-Pai, que Lacan situa na origem da psicose como de um impossível acesso ao simbólico. Muitos psicanalistas apenas invocam esta possibilidade sem maiores observações e reflexões, aí acrescentando, evidentemente, a invasão do sujeito pelo gozo, desde que o sujeito não seja radicalmente cortado. As coisas parecem mais complexas para o sujeito melancólico, e grande número de psicanalistas lacanianos não se entregam mais tão rapidamente e esta espécie de aplicação teórico-clínica. Situam a melancolia numa carência originária que só se pode evocar em relação a um primeiro Outro ausente; e só se pode estabelecer este “fracasso” com a ajuda de uma reconstrução metapsicológica, ou seja, de uma reconstrução fictícia. É a hipótese do “suicídio do objeto” proposto por Lacan, ao final do Seminário VIII: A transposição, e que ainda falta elucidar, em particular o status desse famoso objeto. Sem dúvida, o pequeno objeto “a”, o objeto causa do desejo encontra-se aí implicado, mas como? Isso não está pressuposto, em seguida ao estabelecimento ou não da metáfora paternal e, com ela, da chegada ou não da psicose. É verdade que certos signos, em particular o negativismo geral do sujeito melancólico, bem como sua crença na “Verdade” ou no “Sentido” atrás das coisas, fazem pensar na psicose. Mas, a fim de perseguir a metapsicologia da melancolia sem reduzi-la por excesso de precipitação, temos todo interesse em manter esta abertura que nos dá Freud com as “neuroses narcisistas”, que colocam em jogo a constituição especular do sujeito.

P. H. M. B. Tavares – E as famosas “perturbações depressivas” tão habitualmente evocadas pela psiquiatria?

M. C. Lambotte – Acredito que se faz necessário, mesmo que por uma questão de vocabulário, ou melhor, para saber sobre o que se fala, diferenciar a depressão da melancolia. A depressão que se pode encontrar em diferentes organizações psíquicas, deveria ser considerada como um estado transversal, uma disposição que pode eventualmente se instalar sem que para tanto constitua uma verdadeira estrutura. Contrariamente ao discurso do sujeito melancólico sem origem nem fim, suspenso no tempo e puramente formal, o discurso do sujeito depressivo dirige-se ao outro e apóia-se na narrativa de uma história singular que comporta uma origem (fantasmática ou real, pouco importa) e uma demanda claramente expressa. A posição respectiva do depressivo e do melancólico diante do outro, diante do objeto, não é, portanto, a mesma, e se a depressão não faz mais que acompanhar a estrutura, a melancolia apresenta, ela própria, a originalidade de uma estrutura específica, que falta determinar.

P. H. M. B. Tavares – Como a senhora caracterizaria de uma forma resumida a relação da melancolia com a estética ou, se a senhora preferir, como a senhora caracterizaria o objeto estético em relação com a melancolia?

M. C. Lambotte – Aqui, também, a relação da melancolia com a estética apresenta uma dificuldade particular, e a causa é a interpretação abusiva que se faz das obras ditas melancólicas. Não procurei de maneira alguma classificar as obras sob a rubrica “melancolia” ou, ainda, interpretar as obras como sendo obras propriamente melancólicas – e, menos ainda, classificar seus autores como tendo este mesmo caráter. Interessei-me, inicialmente, pela história da representação da melancolia, em particular na “Esthétique de la mélancolie”, voltando-me para desenhistas, pintores ou poetas de diferentes épocas, sem para tanto, em nenhum momento, inferir o que quer que seja de patológico. O spleen romântico, por exemplo, pode não ter a ver com a melancolia entendida como uma doença mental; porém, os motivos simbólicos escolhidos, a atitude exemplar dos personagens e os temas repetitivos evocados nas obras constituem muitas pistas suscetíveis de conduzir aos sintomas clínicos freqüentemente verificados posteriormente.
Contudo, não é aqui que está o essencial da relação entre a melancolia e a estética. Esta se manifestou plenamente durante minha experiência de cura com pacientes melancólicos que, após um período difícil caracterizado pelo negativismo, inibição e agressividade, chegavam a expressar um novo interesse pela realidade, sob a forma de uma atividade muito específica que consistia em compor ou recompor seu meio ambiente local. Assim, um paciente não cessava de reorganizar seu apartamento, outro descrevia seus passeios solitários na natureza como o teria feito um pintor diante de seu quadro ou, ainda, um terceiro se esforçava para construir coleções. Evidentemente, este tipo de atividade não pode, por si só, dar conta de uma melancolia, e não se furtará de evocar, a seu propósito, certo traço obsessivo. Mas, num contexto já melancólico, a repetição de uma tal atividade, que sucede ao comportamento apático dos pacientes e que foi fixado pela inibição, expressando-se em termos de “desinteresse”, eu não poderia deixar de considerar o fato de que eles davam a impressão em aí terem um certo prazer. Faz-se necessário anotar isto, no plano estético: a partir do momento em que se compõe ou se recompõe um ambiente, algumas “coisas”, ou dizendo de outra forma, certos objetos (que não se via mais), reaparecem de maneira surpreendente, como se os olhássemos pela primeira vez, numa espécie de redescoberta. Assim, é sobre este efeito de surpresa, próprio a suscitar o olhar, que parecia se sustentar o prazer dos pacientes, como se retomassem uma certa visão em perspectiva que haviam perdido, ou que nunca haviam adquirido. Paralelamente, a realidade, para a qual não sentiam interesse algum, em comparação ao que ela pudesse ocultar “por detrás”, a saber, a Verdade, o Sentido, dito de outra forma, o Absoluto do gozo, tendia a retomar relevo e a perder essa função de tela, que exercia até o momento presente. Interroguei-me, portanto, sobre a função desta atividade de composição, bem como sobre o status destes objetos recentemente “aparecidos” e que pareciam ter retomado, por sua própria conta, a tarefa atribuída anteriormente à realidade, aquela de esconder e, de hoje em diante, de designar o Absoluto inacessível.

P. H. M. B. Tavares – A senhora diz que a melancolia caracteriza-se ao mesmo tempo por um excesso de pensamento e um processo de inibição generalizado. Como, conseqüentemente, explicar, no sujeito melancólico, esta passagem ao “fazer” artístico ou literário como produção?

M. C. Lambotte – O processo de inibição generalizado acompanha o negativismo, no sentido de que toda proposição oferecida ao sujeito melancólico encontra sua contradição e, por aí mesmo, impede o sujeito de agir. Nisto, com efeito, uma tal reação aparece muito obsessiva. Mas não especifica completamente a espécie de inibição que apresenta o sujeito melancólico. Este último, diante de uma realidade plana, nivelada, atrás da qual deve brilhar a “verdadeira Verdade” [sic], dito de outro modo, o Sentido Absoluto, não experimenta aparentemente desejo algum e tende a acentuar tudo o que poderia reforçar o sentimento de uma decepção original. O sujeito melancólico não nega a realidade, ele não sabe simplesmente o que a fazer com ela e evita cair na ilusão que todos os outros compartilham, a saber, a ilusão narcisista que torna possíveis os investimentos. Foi o que retomei na minha última obra, La Mélancolie. Études Cliniques. (A Melancolia. Estudos Clínicos), por meio da expressão “déni d’intention” (recusa de intenção), a saber, a recusa em admitir que a realidade possa ser interessante, não importando o que seja.
Por outro lado, não se trata, nesta atividade de composição que faz emergir objetos de contemplação, de um “fazer artístico” enquanto verdadeira criação. Tratar-se-ia antes de uma necessidade psíquica que resulta numa eleição de objetos aptos a restituírem ao sujeito uma visão em perspectiva, ao menos em relevo, de maneira tal que os objetos adquiram ou readquiram seu valor distintivo. E essa é a própria definição da estética (aisthésis), a disposição em receber as impressões sensíveis provenientes dos objetos e em participar de sua análise. Não se pode, portanto, falar de “produção artística” para o sujeito melancólico, mas, antes, de “organização estética”, na qual os objetos, desprovidos de qualquer função utilitária, oferecem ao olhar um ponto de focalização que reorganiza o mundo, atrás do qual esteja indicada a direção do Absoluto. O objeto estético, portanto, tomou a função de tela inicialmente exercida pela realidade, e não deixa de indicar, de maneira metonímica, o absoluto suposto (Verdade, Sentido, Gozo). Permite, assim, ao sujeito melancólico, reconsiderar a realidade no seu relevo e no seu interesse.
Para resumir esta relação que mantém a melancolia com a “estética” – e não com o “artístico”, que faz necessariamente intervir as noções de criação metafórica, de obra e público –, busquei recurso na fenomenologia de Husserl, para pensar um originário antipredicativo, atravessado por movimentos sensíveis múltiplos que se fazem e se desfazem até individualizarem-se numa reunião relativamente estável no seio do qual se constituem ao mesmo tempo a objetalidade e a apreensão consciente desta última (as “sínteses passivas de Husserl”). Antes mesmo da percepção que leva ao julgamento, consciência e mundo encontram-se já estreitamente imbricados no seio de múltiplos movimentos de composições sensíveis, dos quais se desprenderão entidades singulares, sempre aumentadas em relação à sua instabilidade primeira. Não seria a um tal processo que nos faria pensar o sujeito melancólico, através desta atividade incessante de composição e recomposição de seu meio, a qual faz aparecer objetos próprios para lhe devolver um olhar? Eu poderia dizer, para concluir, que o melancólico nos convida à reconstituição de nossa relação estética com o mundo, em outros termos, à revelação de uma mirada intencional estética. Que esta reconstituição intervenha igualmente no trabalho do artista, não se duvidará; mas, para este último, a aposta levará bem além, até a possibilidade de metaforizar, tanto no plano imaginário como no simbólico, os efeitos de um real sempre pronto a ameaçar o trabalho de composição do mundo.

P. H. M. B. Tavares – Na história das idéias, a melancolia foi freqüentemente uma predileção atribuída aos filósofos, aos artistas, aos “homens geniais” como o fruto do saber de uma verdade inacessível aos homens comuns. Para concluir, de que ordem seria, portanto, esta verdade?

M. C. Lambotte – Eu começarei com uma citação de Freud, ainda extraída de “Deuil et Mélancolie” (Luto e Melancolia): “Em algumas de suas outras acusações, ele [o sujeito melancólico] parece-nos igualmente ter razão e apenas apreender a verdade com mais acuidade do que outros que não são melancólicos. [...] poder-se-ia bem, ao que sabemos, ter-se passavelmente aproximado do conhecimento de si, e nós nos perguntamos somente por que se deve começar tornando-se doente para estar acessível a uma tal verdade”. Parece, segundo Freud, que o conhecimento de si, em todo engano narcisista que ele termina por denunciar, não seria aceitável sem perigo para o indivíduo. E a expressão da maior privação de si seria sem dúvida, na minha opinião, o sujeito melancólico ou o sujeito místico. A que espécie de verdade se defronta, desde que a imagem narcisista encontra-se em jogo e a realidade só oferece uma superfície plana na qual todos os objetos, indefinidamente substituíveis, justapõem-se uns aos outros sem mais valor algum? É evidentemente Lacan, seguindo a questão freudiana do narcisismo, quem traça a via para uma gênese da melancolia através da complexidade da formação da imagem especular e da sua falência relacionada aos registros do real, do imaginário e do simbólico. Permito-me citá-lo aqui muito parcialmente, por meio do seminário Le transfert (A Transferência), visto propor a diferença entre o sujeito depressivo e o sujeito melancólico: “Observem que não se trata nunca de imagem especular. O melancólico não lhe diz que ele tem um rosto sujo ou que tem um falar sujo, ou que ele é defeituoso, mas que é o último dos últimos, que ele traz catástrofes para seus parentes, etc. Nessas auto-acusações, ele está inteiramente no domínio do simbólico. Acrescente aqui o ter – ele está arruinado”. Só posso aqui evocar a importância da apreensão do objeto do desejo na imagem e a importância das instâncias ideais advindas de todo primeiro encontro com “o outro humano” (o grande Outro como exterior), que eu analiso em particular nos meus dois últimos artigos: “O narcisismo e a questão do originário” e “O objeto do melancólico”.
No que concerne à melancolia, penso que se faz necessário considerar dois registros próprios da verdade: aquele da nostalgia, que testemunha o pesar do Absoluto perdido e que priva a realidade de todos os seus artifícios imaginários, e aquele do originário ou, ainda, do processo catastrófico que provocou esta disposição nostálgica, acerca do qual o sujeito vítima nada pode dizer, em outros termos, este famoso “suicídio do objeto”, de que fala Lacan. A verdade do sujeito melancólico encontra-se num destino irredutível, irreparável, que nenhum reflexo narcisista imaginário pode recobrir, devido precisamente a uma imagem narcisista enfraquecida. Apenas a identificação com o vestígio desta desaparição original do outro – hipótese emitida por Lacan – permitiu que o sujeito enfim se submetesse ao significante “Nada”. Ele aparece, portanto, como um eterno “reconstrutor”, e se chegar a sair de sua inibição, seu melhor sintoma residirá na necessidade de nunca cessar de testemunhar ligações que constituam sua ligação com o mundo, que sejam de sensibilidade ou pensamento. É bem aqui que se poderia presumir as metamorfoses do simbólico, uma vez que, nesse assunto, os pensamentos como os objetos parecem funcionar como sinais, cuja presença real, ou a manifestação efetiva, deveria ser sempre reativada.
Fim.

As citações pesquisadas foram extraídas das seguintes obras:

S. Freud, “Deuil et mélancolie” (1917), trad. J. Altounian, A. Bourguignon, P. Cotet, A. Rauzy, Œuvres complètes XIII, PUF.
J. Lacan, Le séminaire, Livre VIII : Le transfert (1960-1961), Seuil, Paris.

Tradução de Maria José Werner Salles

 

 

La mélancolie et son rapport à l'esthétique

Entretien avec le Professeur Marie-Claude LAMBOTTE

par Pedro Heliodoro M. B. Tavares

Marie-Claude LAMBOTTE est psychanalyste, professeur de psychopathologie à l'Université Paris 13 et directrice de recherche à l'Université Paris 7. Elle a été également directrice de programme au Collège international de Philosophie de 2001 à 2007. Son travail majeur sur la mélancolie aux plans à la fois clinique et métapsychologique (psychanalytique) ouvre maintenant sur des questions propres à l'esthétique philosophique comme celles relatives à l'originaire et à l'intentionnalité esthétiques.

Ses ouvrages récents sur la mélancolie :

:

- Esthétique de la mélancolie, Aubier-Flammarion, Paris, 1999, 2e édition.

Trad. en portugais par P. Abreu, Estética da Melancolia, Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 2000

- Le discours mélancolique. De la phénoménologie à la métapsychologie, Anthropos, Paris, 2003, 2e édition.

Trad. en portugais par S. R. Felgueiras, O discurso melancolico, Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 1997.

- La mélancolie. Études cliniques, Anthropos, Paris, 2007.

- « Le narcissisme et la question de l'originaire », Psychanalyse, 9, Érès, Paris, 2007.

- « L'objet du mélancolique », Essaim, 20, Érès, Paris, 2008



P. H. M. B. Tavares - Vous avez travaillé la mélancolie des points de vue de l'histoire de la philosophie et de l'histoire de la psychiatrie. Mais en tant que psychanalyste, votre approche s'est appuyée essentiellement sur votre expérience clinique. A votre avis, serait-il alors pertinent de comparer l'entité nosographique de la mélancolie avec le modèle des troubles dépressifs tellement utilisé dans la culture psychiatrique ?

M. C. Lambotte - La difficulté consiste en ceci que, précisément, la mélancolie ne semble pas constituer une « entité nosographique » bien assurée du côté de la psychiatrie comme du côté de la psychanalyse. L'histoire de la psychiatrie démontre bien la variabilité de sa définition. E. Kraepelin, par exemple, la considérait dans les premières éditions de son Traité de psychiatrie, comme une maladie autonome, indépendante de la psychose maniaco-dépressive. Ce n'est qu'à la huitième édition de son Traité qu'il a introduit la mélancolie dans cette catégorie de psychose tout en en faisant une sous-catégorie autonome. Quant aux psychanalystes, comme Freud et Karl Abraham, ils se sont attachés à mentionner la diversité de ses signes et, par conséquent, la difficulté de son classement nosographique. Ainsi Freud écrit-il au début de son article « Deuil et mélancolie » (1917) : « La mélancolie, dont la définition conceptuelle est fluctuante, même dans la psychiatrie descriptive, survient sous des formes cliniques diverses dont le regroupement en une unité ne nous semble pas assuré, et parmi lesquelles quelques-unes font penser plutôt à des affections somatiques qu'à des affections psychogènes. » C'est dire l'hésitation que nous ressentons face à une classification généralement trop hâtive. Et, pour suivre Freud, je me suis alors attachée à mettre au jour les mécanismes psychiques sous-jacents à la maladie plutôt qu'à vouloir la ranger d'emblé dans le cadre des psychoses. Je crois que, de ce point de vue des mécanisme qui intéressait Freud au premier chef, nous avons tout intérêt à continuer d'interroger cette catégorie de « névrose narcissique » dont il avait fait de la mélancolie le paradigme, indépendamment des névroses et des psychoses (« Névrose et psychose » 1924). C'est cette attitude de recherche que je tente de légitimer dans Le discours mélancolique.

P. H. M. B. Tavares - Oui, mais pourtant, la psychopathologie psychanalytique propose classiquement trois modèles structurels : la névrose, la psychose et la perversion. A partir de cela, nous pourrions penser des types cliniques dans chaque structure, et il y a des auteurs qui n'hésitent pas à inclure la mélancolie parmi les psychoses. Qu'en pensez-vous ?

M. C. Lambotte - Il s'agit de savoir ce qu'on entend par « psychose ». S'il n'est besoin que d'observer des épisodes délirants chez un patient pour immédiatement en faire un psychotique, on s'empêche tout simplement d'entendre le patient plus avant et l'on a vite fait de lui imposer tout l'échafaudage théorique propre aux psychoses sans plus s'interroger. L'interrogation essentielle devrait porter sur la figure de la castration, autrement dit sur la figure de la négation spécifique de la mélancolie. Et il ne semble pas qu'il s'agisse, comme on le répète abusivement, de la forclusion du Nom-du-Père que Lacan place à l'origine de la psychose comme d'un impossible accès au symbolique. Trop de psychanalystes ne font qu'invoquer cette possibilité sans plus d'observation et de réflexion en y ajoutant, bien évidemment, l'envahissement du sujet par la jouissance dès lors que le sujet ne s'en serait pas trouvé radicalement coupé. Les choses apparaissent plus complexes pour le sujet mélancolique, et bon nombre de psychanalystes lacaniens ne versent plus aussi rapidement dans cette sorte d'application théorico-clinique. Ils situent la mélancolie dans une carence originaire qu'on ne peut évoquer qu'en rapport avec un premier Autre défaillant ; et l'on ne peut établir cette « faillite » qu'à l'aide d'une reconstruction métapsychologique, autrement dit d'une reconstruction fictive. C'est l'hypothèse du « suicide de l'objet » proposée par Lacan à la fin du Séminaire VIII : Le transfert, et qui reste encore à élucider, en particulier pour ce qui concerne le statut de ce fameux objet. Sans doute l'objet petit « a », objet cause du désir, s'y trouve-t-il impliqué, mais comment ? Cela ne préjuge pas ensuite de la mise à disposition ou non de la métaphore paternelle et, avec celle-ci, de l'avènement ou non de la psychose. Il est vrai que certains signes, en particulier le négativisme généralisé du sujet mélancolique ainsi que sa croyance en la « Vérité » ou au « Sens » derrière les choses, font penser à la psychose. Mais afin de poursuivre la métapsychologie de la mélancolie sans la réduire par trop de précipitation, nous avons tout intérêt à garder cette ouverture que nous donne Freud avec les « névroses narcissiques » qui mettent en jeu la constitution spéculaire du sujet.

P. H. M. B. Tavares - Et les fameux « troubles dépressifs » si habituellement évoqués par la psychiatrie ?

M. C. Lambotte - Je crois qu'il faut, ne serait-ce que pour une question de vocabulaire, autrement dit pour savoir de quoi on parle, différencier la dépression de la mélancolie. La dépression qu'on peut retrouver dans les différentes organisations psychiques, devrait être considérée comme un état transversal, une disposition qui peut éventuellement s'installer sans pour autant constituer une véritable structure. Contrairement au discours du sujet mélancolique sans origine ni fin, suspendu dans le temps et purement formel, le discours du sujet dépressif s'adresse à l'autre et s'appuie sur le récit d'une histoire singulière qui comporte une origine (fantasmatique ou réelle, peu importe) et une demande clairement exprimée. La position respective du dépressif et du mélancolique vis à vis de l'autre, vis à vis de l'objet, n'est donc pas la même, et si la dépression ne fait qu'accompagner la structure, la mélancolie présente elle-même l'originalité d'une structure spécifique qu'il reste à déterminer.

2 -

P. H. M. B Tavares - Comment caractériseriez-vous d'une façon abrégée le rapport de la mélancolie avec l'esthétique ou, si vous préférez, comment caractériseriez-vous l'objet esthétique par rapport à la mélancolie ?

M. C. Lambotte - Là aussi, le rapport de la mélancolie à l'esthétique présente une difficulté particulière due à une même interprétation abusive que l'on fait des œuvres dites mélancoliques. Je n'ai absolument pas cherché à classer des œuvres sous la rubrique « mélancolie » ou bien encore à interpréter des œuvres comme étant des œuvres proprement mélancoliques - et encore moins à classer nécessairement leur auteur dans ce même tempérament. Je me suis intéressée d'abord à l'histoire de la représentation de la mélancolie, en particulier dans l'Esthétique de la mélancolie, que ce soit par des dessinateurs, peintres ou poètes des différentes époques, sans pour autant, encore une fois, en inférer quoi que ce soit de pathologique. Le spleen romantique, par exemple, peut ne rien avoir à faire avec la mélancolie entendue comme une maladie mentale ; mais les motifs symboliques choisis, l'attitude exemplaire des personnages et les thèmes répétitifs évoqués dans les œuvres sont autant de pistes susceptibles de mener aux symptômes cliniques souvent vérifiés par la suite.

Mais ce n'est pas là l'essentiel du rapport entre la mélancolie et l'esthétique. Celui-ci s'est dégagé pleinement de mon expérience de cure avec des patients mélancoliques qui, après une période très difficile caractérisée par le négativisme, l'inhibition et l'agressivité, parvenaient à exprimer un nouvel intérêt vis à vis de la réalité sous la forme d'une activité très spécifique qui consistait à composer ou recomposer leur environnement local. Ainsi d'un patient qui ne cessait de réorganiser son appartement, d'un autre qui décrivait ses promenades solitaires dans la nature comme l'aurait fait un peintre vis à vis de son tableau ou bien encore d'un troisième qui s'efforçait de constituer des collections. Bien évidemment, ce type d'activité ne peut, à lui seul, rendre compte d'une mélancolie et l'on ne manquera pas d'évoquer à son propos certain trait d'obsessionnalité. Mais dans un contexte déjà mélancolique, la répétition d'une telle activité qui succède au comportement apathique et figé par l'inhibition que présentent les patients et qu'ils expriment en termes de « désintérêt », ne pouvait manquer de m'interpeller d'autant plus qu'ils semblaient y prendre un certain plaisir. Il faut noter ceci, au plan esthétique : à partir du moment où l'on compose ou recompose un environnement, certaines choses, autrement dit certains objets que l'on ne voyait plus, réapparaissent de manière surprenante, comme si on les regardait pour la première fois dans une sorte de redécouverte. Et c'est sur cet effet de surprise propre à susciter le regard que semblait s'étayer le plaisir des patients, comme s'ils regagnaient une certaine vision en perspective qu'ils avaient perdue ou qu'ils n'avaient jamais bien acquise. Parallèlement, la réalité pour laquelle ils n'éprouvaient aucun intérêt en comparaison de ce qu'elle pouvait occulter « par derrière », à savoir la Vérité, le Sens, autrement dit l'Absolu de la jouissance, tendait à reprendre du relief et à perdre cette fonction d'écran qu'elle exerçait jusque-là. Je me suis donc interrogée sur la fonction de cette activité de composition ainsi que sur le statut de ces objets nouvellement « apparus » et qui semblaient avoir repris à leur compte la tâche attribuée auparavant à la réalité, celle de cacher, et dorénavant, de désigner l'Absolu inaccessible.

P. H. M. B. Tavares - Vous dites que la mélancolie se caractérise tout à la fois par un excès de pensée et un processus d'inhibition généralisé. Comment, dès lors, expliquer, chez le sujet mélancolique, ce passage au « faire » artistique ou littéraire en tant que production ?

M. C. Lambotte - Le processus d'inhibition généralisé va de pair avec le négativisme au sens où toute proposition offerte au sujet mélancolique trouve sa contradictoire et, par là même, empêche le sujet d'agir. En cela, en effet, une telle réaction apparaît très obsessionnelle. Mais elle ne spécifie pas complètement la sorte d'inhibition que présente le sujet mélancolique. Celui-ci, face à une réalité plane, nivelée, derrière laquelle doit briller la « vraie Vérité » [sic], autrement dit le Sens absolu, n'éprouve apparemment aucun désir et s'attache à souligner tout ce qui pourrait renforcer le sentiment d'une déception originelle. Le sujet mélancolique ne dénie pas la réalité, il n'a simplement rien à faire avec elle et se défend de tomber dans le leurre que partagent tous les autres, à savoir le leurre narcissique qui rend possibles les investissements. C'est ce que j'ai repris dans mon dernier ouvrage La mélancolie. Etudes cliniques, sous l'expression de « déni d'intention », à savoir le déni que la réalité puisse être intéressante en quoi que ce soit.

Aussi bien, ne s'agit-il pas, dans cette activité de composition qui fait émerger des objets de contemplation, d'un « faire artistique » en tant que véritable création. Il s'agirait plutôt d'une nécessité psychique qui aboutit à l'élection d'objets aptes à redonner au sujet une vision en perspective, du moins en relief, de telle manière que les objets acquièrent ou réacquièrent leur valeur distinctive. Et c'est la définition même de l'esthétique (aisthésis) que la disposition à recevoir les impressions sensibles provenant des objets et à participer de leur analyse. On ne peut donc parler de « production artistique » pour le sujet mélancolique mais bien plutôt d'« organisation esthétique » dans laquelle les objets, dépouillés de toute fonction utilitaire, offrent au regard un point de focalisation qui réorganise le monde et au-delà duquel se trouve indiquée la direction de l'Absolu. L'objet esthétique a donc repris à son compte la fonction d'écran d'abord exercée par la réalité pour ne faire qu'indiquer, de façon métonymique, l'Absolu supposé (Vérité, Sens, Jouissance). Il permet ainsi au sujet mélancolique de reconsidérer la réalité dans son relief et dans son intérêt.

Pour résumer ce rapport qu'entretient la mélancolie avec l'« esthétique » - et non pas avec l'« artistique » qui fait nécessairement intervenir les notions de création métaphorique, d'œuvre et de public -, j'ai eu recours à la phénoménologie husserlienne pour penser un originaire antéprédicatif, traversé de mouvements sensibles multiples qui se font et se défont jusqu'à s'individualiser en un assemblage relativement stable au sein duquel se constituent à la fois l'objectalité et l'appréhension consciente de celle-ci (les « synthèses passives de Husserl ». Avant même la perception qui ressortit déjà au jugement, conscience et monde se trouvent donc étroitement imbriqués au sein de multiples mouvements de compositions sensibles desquels se dégageront des entités singulières, toujours grosses de leur instabilité première. Ne serait-ce pas à un tel processus que nous ferait penser le sujet mélancolique à travers cette activité incessante de composition et recomposition de son environnement, laquelle fait apparaître des objets propres à lui redonner un regard ? Je pourrais dire, pour conclure, que le mélancolique nous convie à la reconstitution de notre rapport esthétique au monde, en d'autres termes à la mise au jour d'une visée intentionnelle esthétique. Que cette reconstitution intervienne également dans le travail de l'artiste, on n'en doutera pas ; il reste que, pour ce dernier, l'enjeu se portera bien au-delà, dans la possibilité de métaphoriser aux plans à la fois imaginaire et symbolique, les effets d'un réel toujours en passe de menacer le travail de composition du monde.

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P. H. M. B. Tavares - Dans l'histoire des idées, la mélancolie a souvent été une affection attribuée aux philosophes, aux artistes, aux « hommes de génie » comme le fruit du savoir d'une vérité inaccessible aux hommes ordinaires. Pour conclure, de quel ordre serait donc cette vérité ?

M. C. Lambotte - Je commencerai par une citation de Freud encore extraite de « Deuil et mélancolie » : « Dans certaines de ses autres accusations, il [le sujet mélancolique] nous semble également avoir raison et ne faire que saisir la vérité avec plus d'acuité que d'autres qui ne sont pas mélancoliques. […] il pourrait bien, à ce que nous savons, s'être passablement approché de la connaissance de soi, et nous nous demandons seulement pourquoi l'on doit commencer par devenir malade pour être accessible à une telle vérité. » Il apparaît, selon Freud, que la connaissance de soi, dans tout le leurre narcissique qu'elle finit par dénoncer, ne serait pas acceptable sans danger pour l'individu. Et l'expression du plus grand dépouillement de soi serait sans doute le fait, à mon avis, du sujet mélancolique ou du sujet mystique. A quelle sorte de vérité s'affronte-t-on dès lors que l'image narcissique se trouve en jeu et que la réalité n'offre plus qu'une surface plane où tous les objets, indéfiniment substituables, se juxtaposent les uns les autres sans plus de valeur aucune ? C'est évidemment Lacan qui, poursuivant la question freudienne du narcissisme, trace la voie pour une genèse de la mélancolie à travers la complexité de la formation de l'image spéculaire et de ses faillites référées aux trois registres du réel, de l'imaginaire et du symbolique. Je me permets de le citer ici très partiellement dans la dernière leçon du séminaire Le transfert dans la mesure où il s'agit de la différence entre le sujet dépressif et le sujet mélancolique : « Remarquez qu'il ne s'agit jamais de l'image spéculaire. Le mélancolique ne vous dit pas qu'il a une sale mine ou qu'il a une sale gueule, ou qu'il est tordu, mais qu'il est le dernier des derniers, qu'il entraîne des catastrophes pour toute sa parenté, etc. Dans ses auto-accusations, il est entièrement dans le domaine du symbolique. Ajoutez-y l'avoir - il est ruiné ». Je ne puis ici qu'évoquer l'importance de la prise de l'objet du désir dans l'image (i (a)) et de l'importance des instances idéales issues de la toute première rencontre avec « de l'autre humain » (le grand Autre comme extérieur) que j'analyse en particulier dans mes deux derniers articles : « Le narcissisme et la question de l'originaire » et « L'objet du mélancolique ».

Pour ce qui concerne la mélancolie, je pense qu'il faut donc considérer deux registres propres à la vérité : celui de la nostalgie qui témoigne du regret de l'Absolu perdu et qui, dès lors, dépouille la réalité de tous ses artifices imaginaires, et celui de l'originaire, ou bien encore celui du processus catastrophique qui a provoqué cette disposition nostalgique et dont le sujet victime ne peut rien dire, à savoir ce fameux « suicide de l'objet » dont parle Lacan. La vérité du sujet mélancolique siège dans un irréductible, un irréparable destin qu'aucun chatoiement narcissique imaginaire ne peut recouvrir, faute précisément d'une image narcissique défaillante. Seule l'identification à la trace de cette disparition originelle de l'autre - hypothèse émise par Lacan - a permis cependant que le sujet se range sous le signifiant « Rien ». Il apparaît donc comme un éternel « reconstructeur », et s'il parvient à sortir de son inhibition, son meilleur symptôme semblerait bien résider dans la nécessité de ne jamais cesser de témoigner des liens qui constituent son rapport au monde qu'ils soient de sensibilité ou de pensée. C'est bien là qu'on pourrait présumer des avatars du symbolique dès lors que, pour un tel sujet, les pensées comme les objets semblent fonctionner comme des signes dont la présence réelle, autrement dit la manifestation effective, serait toujours à réactiver.

Fin

Les citations recherchées sont extraites des ouvrages suivants :

S. Freud, « Deuil et mélancolie » (1917), trad. J. Altounian, A. Bourguignon, P. Cotet, A. Rauzy, Œuvres complètes XIII, PUF.

J. Lacan, Le séminaire, Livre VIII : Le transfert (1960-1961), Seuil, Paris.

 

 

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