Press-Release

Exposição “Desvio para o vento”, no Museu Hassis

No dia 04 de julho, quarta-feira, às 19h, será aberta ao público na sala “Vento Sul” do Museu Hassis, a exposição “Desvio para o Vento”. Para esta coletiva, o curador Victor da Rosa reuniu trabalhos de Aline Dias, Cláudio Trindade, Egídio Rocci, Fabiana Wielewicki, Julia Amaral, Letícia Cardoso e Roberto Freitas.

Todos os trabalhos foram escolhidos a partir de uma questão: o vento. Uma pedra de balão que é solta no ar, a fotografia de um livro que o vento lê, um guarda-chuva preso no jardim, um ventilador que faz oscilar um banquinho pendurado, o desejo impossível de capturar o vento, uma série de fotografias em que as cortinas vão se movimentando, um acúmulo de fios que constroem um sistema de ventiladores de computador para fazer funcionar mínimos desenhos de vento no ar. Estas são algumas situações apresentadas pelos sete artistas contemporâneos. Fotografias, vídeo, instalações dentro da galeria e na escada do Museu Hassis, objetos no jardim e até mesmo uma ação realizada no espaço externo compõem a mostra.

Além dos seis significativos artistas contemporâneos de Santa Catarina, a exposição recebe o artista paulistano Egídio Rocci, que vem realizando exposições relevantes no circuito das artes visuais nacional.

– O vento aparece nos trabalhos destes artistas ora enquanto índice do tédio, repetição, de maneira natural ou artificial, em movimentos dos mais diversos, como força que provoca destruição ou mesmo algo que traz conforto. Quis apreender a própria ambivalência de doçura e destruição do vento. Não parto de um modo apaziguador e linear de construção. Ao contrário, procuro o paradoxo. Acredito que os trabalhos dentro da exposição se negam, criam tensões entre si. Trata-se de um campo de batalha – diz Victor da Rosa.

Praticamente todos os trabalhos da exposição já passaram por outros espaços, como salões, mostras individuais. No entanto, a partir do momento em que são expostos em relação uns com os outros, embora mantenham suas autonomias, ganham outras leituras possíveis.

– Esta exposição nasce primeiro de uma questão de linguagem, algo que venho pesquisando faz algum tempo, do desejo de pensar a linguagem enquanto pura força, movimento. Depois de uma questão da cidade, a de Florianópolis, sua geografia e suas formas simbólicas. E o vento pode ser algo que faça estas duas linhas se aproximarem. Dessa maneira, acredito que não peco por omissão de pensar o meu lugar, onde vivo e acordo todos os dias, e por outro lado tento fugir dos provincianismos fáceis que reinam na arte produzida aqui.

No dia 05 de julho, quinta-feira, a partir das 19h, haverá uma conversa entre os artistas e mediada por Victor da Rosa na mesma Fundação. Nesta conversa, pretende-se discutir com o público a maneira como foi montada e concebida a exposição e também o trabalho de cada artista.

Relação de artistas e títulos das obras:

Letícia Cardoso, Como capturar o vento? – vídeo.

Aline Dias, Sem título – fotografia.

Fabiana Wielewicki, Monólogo – série de fotografias.

Roberto Freitas – Hobby II – instalação.

Cláudio Trindade, Guarda-sóis negros – instalação no jardim.

Júlia Amaral, Pedra-sonho – ação no jardim.

Egídio Rocci, Ângela – instalação.

 

SERVIÇO:

O QUÊ: Exposição “ Desvio para o vento”, com curadoria de Victor da Rosa;

ONDE: Rua Luiz da Costa Freysleben, 87, bairro Itaguaçu, Florianópolis/SC;

QUANDO: Abertura: 04/07/2007, 19hs. Visitação: até 28/09/2007. Segunda a sexta, 13 às 18h. Visitas monitoradas: agendar com antecedência pelo tel.: (48) 3348-7370.

QUANTO: Gratuito.

 

Desvio para o vento

A ambivalência do vento que é doçura e violência, pureza e delírio, como assinalá-la melhor senão revivendo (...) seu duplo ardor destrutivo e vivificante?

G. Bachelard

Esta exposição nasce de um desejo de puro movimento – portanto, o movimento não para encontrar seu fim, mas para criar potência, prolongar a imperfeição de tudo que deriva, desvia: e erra por resistir a qualquer definição. Nasce da vontade de criar rachaduras numa superfície, de provocar um incidente – tudo aquilo que cai, se desfaz, quebra – para vislumbrar, talvez, um fio de luz do outro lado das coisas. Da vontade do encontrar acaso e de arriscar o provisório, da delicadeza e do desastre – da ambivalência, enfim.

As escolhas, portanto, foram feitas como recortes de um movimento infinito, vestígios de uma aparição invisível: o vento – força indecidível, imprevista e inumana: força sem origem e sem futuro. As tensões geradas neste encontro, por sua vez, nascem da própria riqueza simbólica e das forças que o vento pode oferecer, da fratura vazia entre o excesso e a falta que marca um limite possível – entre monotonia e destruição, deslocamento para o desvio, repetição e ausência, descontrole, rumor e silêncio, o ruído de silêncio. Esta exposição, enfim, nasce do desejo de encontrar o vento, sobretudo, para não deixar de se mover.

* * *

O vento se apresenta como possibilidade de oferecer rachaduras para um pensamento sobre o contemporâneo na medida em que o entendemos enquanto descontrole, loucura, potência infinita que pode tomar inúmeros caminhos e movimentos. O vento, força imprevisível, pode ser destruição ou delicadeza, velocidade ou mesmo monotonia. Traz uma história simbólica ao mesmo tempo em que oferece uma força material. A idéia da exposição Desvio para o vento , dessa maneira, é operar com trabalhos que, de alguma maneira, se relacionem com o vento. De que modo o vento pode impulsionar uma ação? De que modo um gesto, ao contrário, pode impulsionar o vento? Como trabalhar com as potencialidades do vento – como força, sonoridade, imagem? Ou, ainda, de que maneira trabalhar com materialidades mesmo? Fotografias, instalação, vídeo, objetos, ações, de diferentes modos, procuram recuperar tais perguntas a partir de tensionamentos com o vento e com outros trabalhos do espaço.


Victor da Rosa

 

 

 

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