Aristóteles em seu tratado Sobre a Alma desenvolve, a propósito da visibilidade, uma concepção bastante concreta da luz e do diáfano. Assim, pressupõe que para ver é necessário uma série contínua de meios diáfanos, [In]Transparentes.
Os trabalhos apresentados na exposição [In]Transparências. Variações do diáfano evocam, cada um desde sua própria linguagem, nuances que fluem entre os limites deste conceito do diáfano. As obras selecionadas sugerem um tempo frágil, memórias e imagens que se sobrepõem em uma luminosidade difusa, abordada como um jogo de transparências e opacidades.
Lela Martorano, em suas fotografias da série Deslumbramentos projeta uma imagem de um arquivo de família sobre postais antigos da cidade de Granada. Nessa fusão, as imagens se fundem em cores e sombras, sobrepõem as memórias em uma única fotografia.
Em Vácuos, de Cláudio Trindade, a função dos objetos se anula, fazendo visível essa atitude ambígua de proteção e aniquilação. A transparência do material que os envolve não só revela, como também – na medida em que inutiliza cada objeto- oculta.
Roberto Freitas na instalação Sussurros trabalha entre ciência e arte. Fabrica um mecanismo, una máquina, um aparato engenhoso capaz de projetar a sutil atividade do vento, ou melhor, da brisa. Deste modo, através do jogo com a luz, o incorpóreo se faz visível, se converte em imagem.
Na instalação Eclipse Solar, Haris Pallas sugere, através de sombras projetadas, uma presença. Voláteis, suas imagens aparecem e desaparecem, produzem um sentido oculto
surgido do vulto de um corpo em movimento, um corpo que fica suspendido em sua própria sombra.
Assim, ao longo do percurso, o olhar se desliza entre trabalhos que, alinhados pelo conceito grego do diáfano, permeiam sutilezas e trazem à vista planos de luz e poéticas da transparência/intransparência.
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