Nota para objetos ausentes

Por: Victor da Rosa

A primeira leitura é de que o artista suspende uma determinação – quebra, esconde, corta ou fragiliza os objetos – para sugerir possíveis e delirantes associações. Os desvios são mínimos, mas logo evidentes (e suficientes: medidos). Há talvez um excesso na absoluta diferença entre as coisas (os campos simbólicos que, em cada objeto, disputam uma presença maior e permanecem em estado constante de tensão) mas ao mesmo tempo há uma precisão quase sem violência.

É difícil precisar em um único procedimento nesta série de poemas-objeto de Franklin Fernández - pelo contrário, a série é elaborada para dar uma dimensão justamente de multiplicidade. Por vezes, o artista aproxima campos simbólicos completamente distintos, como acontece com Golf; por outras vezes, porém, a aproximação é feita pela semelhança, como no poema-objeto Fuego!; e em outras, ainda, os objetos são desfeitos e elaborados com propósitos materiais mais escultóricos.

Os resultados, então, podem ser mais poéticos, puramente poéticos, dentro de um imaginário que se sustenta sobre o instante e que, por isso, ganha um ritmo de significação mais rápido (Carta de amor, talvez) ou mais irônicos e até mesmo aversivos (com maior ou menor intensidade, e peso, todas as naturezas mortas produzem certa ambivalência: de sedução e relutância). Os objetos sempre nos olham, quase animados, de qualquer modo: existe sempre algo que se desfaz, e se refaz: algo finalmente que ganha luz.

 



Barcelona, 27 de julho.

 

 

 

 

 

 

 

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