SEGUNDA IMAGEM
- exposição virtual de Hugo Houayek -

O problema inicial, talvez: há uma segunda imagem que se forma. Não se trata mais da construção de uma imagem, certamente – quem dirá de uma representação? – mas de um fantasma. A imagem se reflete para fora dela e o sujeito que vê é também convidado – em um círculo que, finalmente, se volta contra si – a se implicar no próprio olhar. (1) Não há tempo, o olho se engana – e a segunda imagem só pode ser uma sombra: a nossa própria figura se faz informe. Outras aparências passarão de repente. Espelhos se espalham a nossa volta. Depois, o toque: a centralidade do olhar é também deslocada para um sentido tátil – aqui, no entanto, infinitamente virtual. O plástico é mole. Como se tocasse o corpo – a tela – fosse também a própria sombra. No fim, algo sempre se perde... algo sempre necessita se perder.

(1) Como não recordar As meninas de Velásquez e a antológica análise de Michel Foucault – que percebe naquele quadro um regime representativo descontínuo em que toda origem se encontra justamente com este vazio fora da imagem, nós, através dos olhos do pintor que nos olha? – em outro sentido, a análise que Giorgio Agamben faz das canções de amor do século XIII, quando percebe que a dicção imaginária e fantasmática (a segunda imagem: morada capaz, stanza) se apresenta como possibilidade de conciliar amor e objeto perdido?

FOUCAULT, Michel. Las meninas. In: As palavras e as coisas. Trad. Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

AGAMBEN, Giorgio. A palavra e o fantasma: a teoria do fantasma na poesia de amor do século XIII. In: Estâncias. Trad. Selvino José Assmann. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.

 

Victor da Rosa
Florianópolis, janeiro de 2008

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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