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“Sobre Deslumbramientos" "Pode uma folha negar-se a ser arrastada pelo vento?" A captura do transitório, através da câmera, abre uma impossibilidade de esquecimento. As árvores, em uma pausa, parecem suspender o tempo - longe e desbotado. A fusão das imagens proporciona um diálogo impreciso e submerso. Em movimento de olhar distante, um pouso de cores e sombras se acomoda, interferindo na memória do pai. Flores são oferecidas a uma imagem gasta. Em uma transposição de fotografias, Lela Martorano constrói uma nova paisagem onde ausência se torna presença. As folhas projetadas sobre o cinza esmaecido retomam imagens de um arquivo apagado. Não há vazio, há acúmulo. A artista se apropria das fotografias do pai projetando em postais da antiga Granada. Imagens rasgadas, absorvidas pela ação do tempo, são submetidas a uma sutil incisão. As árvores e flores que habitam as fotografias da artista já são também um passado, pois no momento em que a lente capta o instante, o presente se perde, o real se faz imagem e a imagem, por sua vez, memória. Lucila Vilela
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