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VOCÊ SEMPRE SE MUDA PARA O CONTRÁRIO outubro de 2007 Por 17 anos minha produção vem acoplando assuntos da atualidade. Introduções sobre a alteridade, a identidade e a morte - o colapso que envolve a humanidade. A arte é uma forma de aclamação à vida, onde se busca dar ao real o avesso. Muda-se de idéia, vira-se ao reverso procurando uma saída para que o destino esmaeça. No subtítulo dessa produção fica gravada uma água no papel, guardada com suavidade e testemunho. São lavagens delicadas abatidas pelo tempo apresado em suspensão. Pedaços de partes do corpo vividos, experimentados, bem friccionados. Em outro momento sob copos se preservam, sobre a cama de gelo da congela. As linhas, outro elemento agregado a esses desenhos, depositam-se na conservação da memória, formando-se sob vidros, livres de artimanhas e armadilhas. Também mostram mechas de cabelo escorrido, capturadas e preservadas que nos permitem uma direção às conexões emocionais, pelo apego de algo essencial à beleza, à estética. Esse segundo cabelo é um elemento disjuntivo entre dimensões exterior e interior, é o que nos resta como possibilidade de apelo. Esboços ternos de um grafite armazenado. Este trabalho desenvolve-se através da duração e preservação da vida no exercício do cotidiano, da observação e percepção desse acesso, na resignação e vagareza, como fios que se deslocam da cabeça, um após o outro e assim por diante.
marta strambi
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