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SOBRE A LITERATURA INFANTO-JUVENIL E SEUS LEITORES Por: Dirce Waltrick do Amarante Em 1696, o conto “A Bela Adormecida” (cujo enredo, nessa época, diferia da versão definitiva do texto) foi publicado na revista Le Mercure Galant, com algumas linhas de apresentação do seu autor: “Ainda que os contos de fadas e ogros pareçam ser bons apenas para as crianças, estou convencido que esse que vos envio vos dará prazer. Ele está escrito de maneira agradável e o estilo é perfeitamente adequado ao tema”.1 O autor do conto, Charles Perrault, manteve-se, todavia, no anonimato, não assinando a obra. Foi no século XVII, assim, que se passou finalmente a escrever histórias que “vieram a ser englobadas como literatura também apropriada à infância: as Fábulas, de La Fontaine, editadas entre 1668 e 1694, As Aventuras de Telêmaco, de Fénelon, lançadas postumamente, em 1717, e os Contos da Mamãe Gansa, cujo título original era Histórias ou Narrativas do Tempo Passado com moralidades, que Charles Perrault publicou em 1697”.2 A autoria desta última obra, “criação coletiva, tendo a sua origem numa tradição imemorial”3, Perrault atribuiu ao seu filho mais moço, Pierre Darmancourt, e dedicou a obra ao “delfim da França, país que, tendo um rei ainda criança, é governado por um príncipe regente”.4 Segundo Marisa Lajolo e Regina Zilberman, “a recusa de Perrault em assinar a primeira edição do livro é sintomática do destino do gênero que inaugura: desde o aparecimento, ele terá dificuldades de legitimação”.5 Um século mais tarde, como afirma Vivien Noakes, estudiosa do nonsense de Edward Lear, um autor de livros para crianças, ainda era de praxe que “os livros infantis fossem publicados anonimamente (...)”. Edward Lear foi, porém, o primeiro a se expor como autor de livros infantis, quando, na terceira edição, de 1861, de seu bem-sucedido A Book of Nonsense (1846), imprimiu seu nome na página de rosto do livro (lembro que Lewis Carroll, outro expoente da literatura nonsense vitoriana, é o nom de plume de Charles Lutwidge Dodgson). Perrault, com sua compilação de contos populares, é considerado um dos precursores da literatura infantil, gênero que se renovou com a publicação, em 1704, um ano depois da morte do autor de “Chapeuzinho Vermelho”, de uma edição de As Mil e uma Noites, na tradução do orientalista francês Antoine Gallant. As Mil e uma Noites é, como aponta Ana Maria Machado, “uma fascinante coletânea de história orientais, predominantemente persas e árabes”, que deve datar de algum período entre os séculos XII e XIV. 6 Contudo, “o verdadeiro livro das Mil e uma Noites”, adverte Malba Tahan, “na sua forma completa, não é obra cuja leitura possa ser aconselhada para crianças e adolescentes. É um livro profundamente contra-indicado sobre vários aspectos, pois muitos de seus contos foram imaginados com a finalidade exclusiva de divertir adultos”.7 Gallant, na sua tradução, que se tornou “obra clássica da Literatura francesa” e que foi retraduzida para vários idiomas, aproveitou somente “uma quarta parte dos contos originais (...), teve o cuidado de abolir as cenas que pudessem ferir os princípios morais cristãos. Suprimiu do enredo dos contos os versos, poemas e citações poéticas. Procurou fazer uma tradução que fosse isenta de expressões chulas e pouco edificantes”.8 De fato, a tradução do orientalista francês obteve sucesso entre adultos e crianças, as quais adotaram o livro, como se este tivesse sido escrito “especialmente para elas”.9 Alguns dos contos mais conhecidos que compõem As Mil e uma Noites são, por exemplo, “Ali Babá e os 40 Ladrões”, “As Aventuras de Simbad, o Marujo”, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”. Se no século XVII a literatura infantil começou a ganhar relevo, foi no século XVIII no entanto que ela realmente passou a ter um papel de destaque: “sempre que examinada historicamente a questão relativa à literatura infantil e leitura, constata-se que a ênfase literária ocorreu simultaneamente à difusão de uma política de alfabetização em massa, a partir do século 18”10, na Inglaterra, “país onde”, segundo Marisa Lajolo e Regina Zilberman, “foi mais evidente sua associação a acontecimentos de fundo econômico e social que influíram na determinação das características adotadas”.11 Grande parte da literatura dedicada às crianças, produzida nesse período, estava diretamente relacionada à escola, nascia, portanto, já “comprometida com a pedagogia”, razão pela qual, conforme alguns estudiosos acreditam, ela “teve seu valor estético discutido, sendo vista como uma criação artística menor”.12 A literatura infantil, na Inglaterra do século XVIII, esteve diretamente relacionada também à Revolução Industrial, que trouxe como conseqüências, por exemplo, o crescimento político e financeiro das cidades, promovendo o êxodo rural; a consolidação da burguesia “como classe social, apoiada num patrimônio que não se mede mais em hectares, mas em cifrões”13; e a imposição da instituição escolar, que surge com o objetivo de “colaborar para a solidificação política e ideológica da burguesia”: estando as crianças em sala de aula, elas desafogam o mercado de trabalho e ao mesmo tempo são orientadas para a vida em sociedade segundo os padrões da classe econômica dominante.14 Por isso, como a família, a escola “se qualifica como espaço de mediação entre a criança e a sociedade”.15 Tem-se afirmado, todavia, que por depender da escola, já que pressupõe a “escolarização da criança”, a literatura infantil se “coloca numa posição subsidiária em relação à educação. Por conseqüência, adota posturas às vezes nitidamente pedagógicas, a fim de, se necessário, tornar patente sua utilidade. Pragmática igualmente por este aspecto, inspira a confiança à burguesia, não apenas por endossar valores desta classe, mas sobretudo por imitar seu comportamento”.16 Não se pode esquecer ainda que a literatura para as crianças cresceu “por meio da industrialização e se moderniza em decorrência dos novos recursos tecnológicos disponíveis”, por esse motivo, assumiu também, “desde o começo, o papel de mercadoria”.17 Regina Zilberman lembra que “o livro foi o primeiro objeto produzido industrialmente, vale dizer, em grande quantidade e segundo a divisão do trabalho”.18 Datam do século XVIII, todavia, grandes obras destinadas às crianças, até hoje lidas, como, por exemplo, as adaptações de Viagens de Gulliver (1726), de Jonathan Swift, e Robinson Crusoé (1719), de Daniel Defoe. O século XIX, diferentemente do século XVIII, é conhecido como “A Idade de Ouro” da literatura infantil, uma vez que, nesse período, “o gênero se destacou com clareza da literatura para adultos. E foi também quando surgiram várias obras que, embora intencionalmente dirigidas para os pequenos, conquistaram os leitores de todas as idades por suas qualidades literárias intrínsecas”. Ou seja, “não eram apenas ‘livrinhos para crianças’, dispostos a dar alguma lição e, eventualmente, divertir”.19 Ana Maria Machado ilustra essa questão citando uma afirmação do escritor irlandês Clive Staples Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, que veio a lume em 1950. Lewis dizia que “não vale a pena ler aos 10 anos um livro que não tenha o que dizer para quem o reler aos 50, em condições de fazer novas descobertas na releitura”.20 Grandes nomes da literatura infantil de todos os tempos nasceram ou produziram no século XIX, citaria como exemplo, os irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, autores de uma célebre antologia de contos populares; o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, que não se limitou a recolher histórias tradicionais, já que criou também várias histórias originais a partir desses contos; os pais do nonsense vitoriano, Edward Lear e Lewis Carroll; o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde, autor de contos melancólicos como “O Príncipe Feliz” e “O Rouxinol e a Rosa”; o francês Jules Renard, autor do romance Foguinho e de poemas sobre animais reunidos em Histórias Naturais; entre outros. Não foi por acaso, portanto, que um dos maiores críticos literários da atualidade, o norte-americano Harold Bloom, compôs recentemente uma antologia de contos, fábulas e poemas, datados, na sua maioria, do século XIX, que se destinam, segundo ele, às “crianças extremamente inteligentes de todas as idades”. Sobre a sua coletânea, Bloom afirma: “qualquer pessoa, de qualquer idade, ao ler esta seleção, perceberá logo que não concordo com a categoria ‘literatura para criança’, ou ‘literatura infantil’, que teve alguma utilidade e algum mérito no século passado, mas que agora é, muitas vezes, a máscara de um emburrecimento que está destruindo nossa cultura literária. A maior parte do que se oferece nas livrarias como literatura para criança seria um cardápio inadequado para qualquer leitor de qualquer idade ou época”.21 Na antologia de Bloom não nada “que seja difícil ou obscuro, nada que não ilumine e divirta”. Portanto, o crítico acrescenta que “Se alguém encontrar aqui uma obra que não entenda imediatamente, sugiro perseverança. É quando nos ampliamos, pelo exercício de uma capacidade não utilizada antes, que alcançamos um melhor conhecimento de nosso próprio potencial. Abstenho-me de sugerir qualquer história ou poema em especial para uma ou outra idade, porque prefiro considerar o livro um campo aberto onde o leitor passeará e descobrirá, por si mesmo, o que lhe pareça mais apropriado”.22 Sobre a criança leitora, Bloom afirma que “há várias explicações práticas para o fato de que um grande número de crianças (de todas as idades) não lê. A Era da informação tornou a tela mais importante -- filmes, televisão e computadores pessoais – e o e-book começa a ser uma alternativa para o livro impresso”.23 O crítico opina, no entanto, que “os obstáculos à leitura são, até certo ponto, apenas uma questão de moda, ou de exemplos inadequados que os pais deram aos filhos. O que se lê permanece uma questão prática, a diferença fará a diferença”. 24 Bloom segue declarando que é “bastante antiquado e romântico para acreditar que muitas crianças, diante das circunstâncias certas, são leitoras naturais até o momento em que esse instinto é destruído pela mídia. A tirania da tela ameaça qualquer ordem na qual se prefere o valor literário e a sensatez humana ao fluxo constante de informações”.25 No tocante à “atração romântica da leitura”, o crítico norte-americano opina que ela, “assim como toda atração romântica baseada na experiência, depende do encantamento, e o encantamento depende de uma capacidade em potencial, não de um conhecimento completo. O que conhecemos totalmente não nos levará a nos aproximarmos, de maneira que ficar apaixonado por um livro não é completamente diferente de ficar apaixonado por uma pessoa”.26 Ana Maria Machado compartilha da opinião de Harold Bloom com relação à leitura quando afirma que “outra coisa muito prazerosa que encontramos num bom livro é o prazer de decifração. De exploração daquilo que é tão novo que parece difícil e, por isso mesmo, oferece obstáculos e atrai com intensidade. É uma delícia irresistível: ir se deixando fascinar, se permitindo ser conquistado por aquelas palavras e idéias, tentando ao mesmo tempo conquistar e vencer as dificuldades da leitura”.27 Em virtude disso, Machado fala da leitura como um “gosto pela viagem – um prazer especial, que não deve ser confundido com fuga, evasão ou escapismo. É o gosto pela imersão no desconhecido, pelo conhecimento do outro28, pela exploração da diversidade. A satisfação de se deixar transportar para outro tempo e outro espaço, viver outra vida com experiências diferentes do quotidiano”.29 Mas para que o “gosto pela viagem” se torne real é necessário que o leitor participe da obra, no sentido dado, por exemplo, pelo pensador francês Roland Barthes, que acreditava que, numa escritura, é “a linguagem que fala, e não o autor”.30 Portanto, “o nascimento do leitor deve pagar-se com a morte do autor”.31 E, “uma vez afastado o Autor, a pretensão de ‘decifrar’ um texto se torna inútil”, pois a intenção de quem o escreveu não pode ser levada em consideração, ela não se impõe mais perante o texto como alguma coisa de decisivo para o leitor. O que resulta daí é encarar o texto como “feito de escrituras múltiplas, oriundas de várias culturas e que entram umas com as outras em diálogo, paródia, em contestação; mas há um lugar onde essa multiplicidade se reúne, e esse lugar não é o autor (...), é o leitor: o leitor é o espaço mesmo onde se inscrevem, sem que nenhuma se perca, todas as citações de que é feita a escritura”.32 T.S. Eliot declarou, resumindo uma postura aceita por críticos anglo-americanos na primeira metade do século XX, que, segundo a sua “própria experiência em apreciação de poesia”, quanto menos se sabe “sobre o poeta e seu trabalho, antes de começar a lê-lo, melhor”. De acordo com Eliot, “uma preparação elaborada de conhecimento histórico e biográfico sempre foi para mim uma barreira”.33 Para Roland Barthes, escrevendo décadas depois: “Dar ao texto um Autor é impor-lhe um travão, é provê-lo de um significado último, é fechar a escritura”.34 O escritor francês Maurice Blanchot, que sempre pensou seriamente acerca do estatuto da obra em face da biografia do autor, opinou que “o leitor faz a obra; lendo-a, ele a cria; é seu verdadeiro autor, é a consciência e a substância viva da coisa escrita; assim, o autor só tem uma meta, escrever para o leitor e se confundir com ele”.35 O leitor de qualquer idade deve se sentir livre para construir seu universo a partir do texto. Respeitando-se esse fato, liberta-se o leitor do fardo de ter que edificar sua leitura segundo regras e interesses que não são os seus. As interpretações prévias de textos podem sufocar não só o texto, mas o seu leitor potencial. O fato, entretanto, é que “ler bem” (diria, sem a tutela dos adultos que impõem a sua própria versão do livro) “torna as crianças mais interessantes, tanto para si mesmas quanto para os outros, um processo no qual desenvolverão uma noção de serem pessoas separadas e distintas. Estar sozinho com um livro autêntico é ser capaz de conhecer a si próprio”.36 Na opinião de Bloom, “à medida que a inteligência e a consciência aumentam em nós, podemos acreditar que o que é melhor e mais antigo dentro de nós não pode ser conhecido pelos outros”.37 Por isso, para o crítico norte-americano, “a criança solitária com um livro é, para mim, a verdadeira imagem da felicidade potencial, de algo que pode se tornar realidade mais e mais.” O livro, esse companheiro, é um “amigo invisível”, é “a mente que aprende a se exercitar com todos as suas forças. Talvez seja também o misterioso momento em que nasce um novo poeta ou um novo contador de histórias”.38 Nos quatro volumes organizados por Harold Bloom, “cada poema e cada história (...) removem o verniz do lugar-comum a fim de revelar a magia oculta”, que se faz nova a cada leitura.39 Num ensaio intitulado “Três Maneiras de Escrever para Crianças”, o escritor C. S. Lewis ressalta a sua posição em relação à chamada Literatura Infantil, que, para o ele, é antes de tudo uma forma artística (escreve-se “uma história para crianças porque é a melhor forma artística de expressar algo que você quer dizer”40): “Não preciso lembrar o público a quem me dirijo de que a classificação rígida dos livros segundo faixas etárias, tão cara a nossos editores, tem uma relação muito vaga com os hábitos dos leitores reais. Aqueles que são censurados quando velhos por lerem livros de criança também eram censurados quando crianças por lerem livros escritos para mais velhos. Nenhum leitor que se preze avança obedientemente de acordo com um cronograma.”41 Por isso, parece ter razão Malba Tahan, quando afirma que “a criança e o adulto, o rico e o pobre, o sábio e o ignorante, todos, enfim, ouvem com prazer histórias – uma vez que estas histórias sejam interessantes, tenham vida e possam cativar a atenção”.42 Pois são muitos os autores e livros que merecem ser explorados por qualquer público, mesmo que careçam do adjetivo infantil. Sugestões de Leitura para Todas as Idades: 01. “Um Cruzamento” (Franz Kafka, no livro Narrativas do Espólio) 02. “O Gato Preto” (Edgar Allan Poe, adaptação de Clarice Lispector, no livro Histórias Extraordinárias) 03. “As Aventuras da Noite de S. Silvestre” (E.T.A. Hoffmann, no livro Contos dos Homens sem Sombra) 04. “O Fantasma de Canterville”, (Oscar Wilde, no livro Contos e Novelas de Oscar Wilde) 05. “O Gato de Botas” (Charles Perrault) 06. As Mil e uma Noites 07. “A Pequena Sereia” (Hans Christian Andersen) 08. “O Homem na Lua” (Lewis Carroll, no livro Algumas Aventuras de Sílvia e Bruno) 09. “Sonho de uma Noite de Verão” (William Shakespeare, adaptação de Carlos e Maria Lamb, no livro Tragédias e Comédias). 10. Os Animais de Todo Mundo (Jacques Roubaud). 11. “Os Jamblins” (poema de Edward Lear) 12. Juca e Chico (Wilhelm Busch, tradução de Olavo Bilac) 13. Dom Quixote de la Mancha (tradução e adaptação de Ferreira Gullar) 14. “Os Músicos de Bremen” (Irmãos Grimm) 15. “O Urso com Música na Barriga” (Érico Veríssimo) 16. Quando eu era Pequena (Adélia Prado) BIBLIOGRAFIA: As Mil e Uma Noites. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. BARTHES, Roland. O Rumor da Língua. São Paulo: Martins Fontes, 2004. BLANCHOT, Maurice. A Parte do Fogo. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. BLOOM, Harold (org.). Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades. Volume 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2003 ELIOT, T.S. Selected Prose of T.S.Eliot. Londres: Faber and Faber, 1980. LAJOLO, Marisa e Regina Zilberman. Literatura Infantil Brasileira: História e Histórias. São Paulo: Editora Ática, 2004. LECHTE, John. 50 Pensadores Contemporâneos Essenciais do Estruturalismo à Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: Difel, 2002. LEWIS. C.S. As Crônicas de Nárnia. São Paulo: Martins Fontes, 2005. MACHADO, Ana Maria. Como e Por que Os Clássicos Universais Desde Cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: Teoria, Análise, Didática. São Paulo: Moderna, 2005. PERRAULT, Charles. Contes. Paris: Gallimard, 1981. ZILBERMAN, Regina (Org.). A Produção Cultural para a Criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. ZINANI, Cecil Jeanine Albert e Salete Rosa Pezzi dos Santos (orgs.). Multiplicidade dos Signos: Diálogos com a Literatura Infantil e Juvenil. Caxias do Sul: Educs, 2004.
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