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TRÊS NARRATIVAS PLÁSTICAS: KABAKOV, TUNGA E KAPOOR Por: Sérgio Medeiros “THE MAN WHO FLEW INTO SPACE FROM HIS APARTMENT” Fazia muito calor às 10 da manhã. Em Porto Alegre em novembro, um ano atrás. Acompanhava-nos um tradutor. Longos braços finos pendiam emperrados na beira do rio. Agora servindo de enfeite, na hora abafada. (Pensei muito depois, na minha casa em Florianópolis, que esses braços inúteis da máquina lançaram algum dia para cima, para o espaço, um homem, e não simplesmente, ou apenas, haviam depositado pesos em navios.) (Não sei se havia barcos à vista sob as nuvens desleixadas.) É incrível, mas nessa manhã não vimos a instalação de Kabakov que buscávamos. Não a encontramos, como se ela estivesse em outra margem que não a nossa. Ou seria isso a instalação de Kabakov: errar à beira do rio sem dar com a outra margem? TUNGA A areia estava úmida, não havia sol. Éramos três. A névoa alta e já esgarçada era o guarda-chuva do Cristo Redentor, não da cidade. Num caramanchão homenageava-se a música brasileira carioca. Usando grandes óculos, João Gilberto tocava concentrado o violão e movia a boca na sala vazia, quase quieta. Um pouco além ia a nossa expectativa. Queríamos (também) a cantoria dos demais viventes. Nos aproximamos os três. Caminhamos rapidamente entre reflexos duros como cera e lesmas descomunais se espalhando como dedos de gigante; e, a seguir, enquanto nosso filho gritava lá fora de medo, eu entrei mais uma vez na penumbra, para examinar um sapo numa bandeja redonda, que era como uma calça frouxa caída a seus pés.Tive de responder em voz alta para os dois, que permaneciam lá fora, e o sapo saltou nu e inchado da sua bandeja, espalhando líquido para fora da tela de proteção. Foi uma visita afobada, um pulo apenas. Falo de mim e do Bruno Napoleão. Impassível, Dircinha não queria provocar gritos humanos e por isso desistiu de entrar de novo. KAPOOR O sol do Rio estava sujo, ou parecia assim na rua e na calçada. Havia um sopro gasto e fixo ali, entre crianças deformadas. Entramos, éramos três. Frescas sombras e claridades, como numa biblioteca imponente, com guardas. A névoa desce e se debate embaixo / O esqueleto da névoa A névoa é um dedo (Ao redor, sempre para
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