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POESIA-INSTALAÇÃO
Por: Sérgio Medeiros

GALHO & ÁGUA

Personagens: um grande negro norte-

americano e um duende brasileiro

Quando o público entra na galeria

é atacado por um negro enfezado

que, agachado, chocalha um grande

galho de árvore, cheio de folhas, avançando-o abruptamente

na direção das pessoas.

 

No fundo da galeria,

o duende segura diante de si uma mangueira azul comprida,

com a decepção estampada na cara.

 

-- Secou -- afirma. -- Tivesse água, eu enchia isto aqui!

Quando diz “isto aqui”, faz um

gesto imponente, abrangendo com o

braço erguido toda a galeria.

 

Ele repete essa fala e esse gesto várias vezes.

 

XIBALBA

“Sala I”

No centro da sala

um banco de ferro

bem aquecido:

no chão, ao redor,

bonecas e bonecos grandes

com o traseiro e

coxas danificados,

consumidos pelo calor

abrasivo.

 

“Sala II”

No centro da sala gêmeos

idênticos -- sem lábios;

seus dentes, expostos, batem

sem parar: frio, ódio,

ou descontrole?

Não dão um passo --

para lugar nenhum.

 

MAIS LONGO QUE O RIO APA

Grande árvore

escura, abafada,

na margem de um rio --

leito não visível,

raízes longas

pendem no vazio

 

Um casal fortemente

abraçado senta-se

na borda com sorriso

de deleite

 

Possivelmente, esse ca-

sal é de madeira

ou barro

 

Se for de madeira, estará

sujo, coberto de pó

 

Se for de barro, es-

tará rachado aqui e ali

 

 

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