para diogo de haro,
que não tem começo nem fim
1,
para sérgio medeiros
sintaxe serpente interminável,
que pende mole
ou molhada
de uma árvore muito alta: tronco de água
como um córrego que escorre da calha
não escolhe
cai espessa,
se espalha
e nada.
3,
na tecla da pianola martela a corda de uma toccata
e o corpo inumano toca maquínico
cada som seco: mecânica música
mínimos acordes // caótica dicção.
nunca um temporal inteiro queda na telha
da casa escura de conlon nancarrow.
5, al carrer de wagner.
equilibra o poema na ponta mas –
aparece na outra:
o ponteiro do relógio de joan brossa
não acerta.
(corte)
o dado desliza pelo chão e
redondo
não se equilibra.
(corte)
sem música
no desenho da partitura
a seta se atravessa precisa no aço do espelho – e aparece na outra
como se fosse mágica.
9,
para cláudio trindade
um copo cheio de água fria
transborda, diáfano
com palavras de vidro quebrado.
é fio de luz: recortada faca
agudo golpe
na manhã branca.
10,
riquelme impõe com seu ritmo destro
o jogo morto ou túmulo – lento
e com um golpe preciso e certo
o seu silêncio decreta o outro.
contraste definido pelo vento:
dois passos de monótono domínio
futebol sem sobra: lâmina, pouco
só mantém o olho em movimento.
se sua presença predomina o mínimo
ainda mantém o drama do barroco.
victor da rosa, 2008.