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Por:Sérgio Medeiros
 
     
 

 

   

Florianópolis, 05 de Fevereiro de 2008

MINIATURAS
Por: Victor da Rosa

para diogo de haro,
que não tem começo nem fim

1,

para sérgio medeiros

sintaxe serpente interminável,
que pende mole
ou molhada
de uma árvore muito alta: tronco de água
como um córrego que escorre da calha
não escolhe
cai espessa,
se espalha
e nada.


3,

na tecla da pianola martela a corda de uma toccata
e o corpo inumano toca maquínico
cada som seco: mecânica música
mínimos acordes // caótica dicção.

nunca um temporal inteiro queda na telha
da casa escura de conlon nancarrow.


5, al carrer de wagner.

equilibra o poema na ponta mas –
aparece na outra:

o ponteiro do relógio de joan brossa
não acerta.

(corte)

o dado desliza pelo chão e
redondo
não se equilibra.

(corte)

sem música
no desenho da partitura
a seta se atravessa precisa no aço do espelho – e aparece na outra
como se fosse mágica.

9,

para cláudio trindade

um copo cheio de água fria
transborda, diáfano
com palavras de vidro quebrado.

é fio de luz: recortada faca
agudo golpe
na manhã branca.

10,

riquelme impõe com seu ritmo destro
o jogo morto ou túmulo – lento
e com um golpe preciso e certo
o seu silêncio decreta o outro.
 
contraste definido pelo vento:
dois passos de monótono domínio
futebol sem sobra: lâmina, pouco
só mantém o olho em movimento.
 
se sua presença predomina o mínimo
ainda mantém o drama do barroco.

 

victor da rosa, 2008.

 

 

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