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Florianópolis, 12 de Julho de 2008

EXTINÇÃO
Por: Régis Bonvicino

O lobo-guará é manso

foge diante de qualquer ameaça

é solitário

avesso ao dia, tímido


detesta as cidades

para fugir do ataque

cada vez mais inevitável

dos cachorros


atravessa estradas

onde quase sempre é atropelado

onívoro, com mandíbulas fracas

come pássaros, ratos, ovos, frutas


às vezes, quando está perdido,

vasculha latas de lixo nas ruas

engasga ao mastigar garrafas

de plástico ou isopores


se corta e ou morre ao morder

lâmpadas fluorescentes

ou engolir fios elétricos

morre

ao lamber inseticidas


ou restos de tinta

ou ao engolir remédios vencidos

ou seringas e agulhas

descartáveis


dócil, sem astúcia,

é facilmente capturado e morto

por traficantes de pele

quando então uiva


Fonte: Página Órfã (Martins/Martins Fontes, 2007

 

 

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