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Florianópolis, 10 de Outubro de 2008

NASCER NO CAOS DO BRASIL
Por: Ernani Rosas

[Sem título]

Que Desgraça minha gente,
nascer no caos do Brasil...
ter por amo irreverente:
Um néscio! um torpe! um imbecil!


“Naufrágio Lusitano”

Ó Brasil de atlântica Quimera!
Ó terra singular de “Vera-Cruz”...
Terra de esp’rança p’ra quem há muito espera,
Terra de Amor, que foste a minha cruz.

Tua ilusão inédita ficara,
teu povo ignorante, teu idioma
é o túmulo da Idéia, que estagnara
como a luz em translúcida redoma!

É uma noute tu’alma, sem estrelas
na incerteza, que a bruma contornara...
ensombrando-lhe o brilho, como umbelas!

E nessa angústia, nesse desespero!
luta minh’alma agônica e preclara,
para salvar-TE do atoleiro áspero!...


Os dois poemas acima integram a importante coletânea de Ernani Rosas, “Cidade do ócio” (Editora da UFSC, Florianópolis, 2008), organizada pela pesquisadora Zilma Gesser Nunes.

Ernani Rosas (1886-1954), poeta nascido em Santa Catarina e falecido no Rio de Janeiro,  não publicou livros em vida, mas sua obra é atualmente considerada de grande relevância e inventividade, tendo sido saudada, entre outros, por Augusto de Campos, que chamou a atenção para o seu domínio das sonoridades, a ousadia sintática, os compósitos inusuais...

 

 

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