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Florianópolis, 17 de Outubro de 2008

DIÁRIO DA SAVANA E OUTROS POEMAS
Por: Virna Teixeira

[sem título]


no sonho era um ford antigo desgovernado

em uma cidade estrangeira

na direção do mar

uma ponte partida, colisão de corpo e metal na água

instinto de nadar até a margem

trâmite & perda, trânsito

de plutão retrógrado

(esgotamento)
 


& ter que consolar o luto, afogar a mágoa em recuo

subir outra vez a mesma ponte

recomeçar no mesmo ponto

após os destroços

 

 

diário da savana
 


1


seis da manhã. o jipe avançava na neblina

tons de ocre, marrom e palha

entre arbustos gigantes, amakhalas, cactos

a pele de ébano do tracker

      seu rosto uma máscara africana


de binóculos, alerta


hienas devoravam uma presa, suspensa

entre os dentes, triturar de ossos, predadores

rastros na areia


leões devem andar aqui perto

um leopardo escondido,

                  na sombra


2


era um barco percorrendo o pântano

concerto de silêncio e sons

o borbulhar da água, música das aves

kingfisher, bluebirds, o nado

ondulante das snakebirds,

enguias


garças


3


piquenique, cestas

uma tarde entre antílopes

as corças velozes na estrada, mascotes

                  de artémis

arco e flecha, amazonas


búfalos ruminavam; rinocerontes

wildebeests demarcavam território

quase em círculos, as narinas

            furiosas


e as zebras desconfiadas    em retirada

entre filhotes
 
 


4


girafas. the unconversational animal.

altas e camufladas

cílios longos

mastigavam folhas


as flores pequenas e raras

atrás de espinhos


5


liga amarela e negra nas asas

                  das borboletas


vôo de falcão sobre a planície


gosto de semillon

prolongado

no incêndio do pôr-de-sol


a lembrança de elefantes

lentos, subindo o

vale
 
 
 
 
 


papillons


piano de cauda

na sala, tocando schumann

das teclas, borboletas despontam

casulos


coloridas sobrevoam

as falanges ágeis

de florestan e eusebius

metamorfose


voyage magnifique

o condutor mental

orquestrando as asas

 

 

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