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Florianópolis, 13 de Outubro de 2008 CHARLES BERNSTEIN EM PORTUGUêS Por: Sérgio Medeiros “Histórias da Guerra: Poemas e ensaios” Foi lançada, recentemente, a antologia “Histórias da Guerra” (Martins/Martins Fontes, São Paulo, 2008), que contém poemas e ensaios do poeta norte-americano Charles Bernstein, autor de vários livros de poesia e ensaios-poemas, além de libretos. Bernstein co-editou a importante revista L=A=N=G=U=A=G=E, transformada depois, em 1984, em livro. A tradução dos poemas do líder do movimento L=A=N=G=U=A=G=E poetry é assinada por Régis Bonvicino (que selecionou os textos e prefaciou a edição) e Maria do Carmo Zanini. A tradução oferece várias soluções surpreendentes. Citarei duas: O poema que dá título ao livro, “Histórias da Guerra”, traz o seguinte verso: “War is sacrifice for an ideal.” Em português, lemos: “A Guerra é o pântano islâmico em Guantánamo.” Essa tradução (de Régis Bonvicino), como se vê, parece explicitar algo que, no original, estava mais ou menos dissimulado e que só uma leitura atenta (e criativa) revelaria. Parece-me que um tom mais latino-americano, ou decididamente nerudiano, predominou nesse verso do tradutor. No verso que fecha o poema do autor norte-americano, lemos: “War is us.” Lemos, em português: “A guerra sou E.U.” Uma solução feliz e irônica, que expõe toda a “culpa” dos EUA e, ao mesmo tempo, revela o E.U. do capitalismo contemporâneo, ou seja, a face do Ocidente, que é a nossa face também, a nossa máscara atual. Em suma, aqui, neste verso, o tom é muito mais paulistano e concreto do que chileno e neoparticipante, embora as duas traduções, apresentadas acima, sejam, no meu entender, cada uma a seu modo, igualmente eficazes como poesia. Num ensaio, incluído no livro que estou comentando, Bernstein recomenda a política cultural dos encontros e transformações, como uma das possibilidades de diálogo nas Américas, elogiando “uma colagem de diferentes práticas lingüísticas pela América afora”, que redundasse numa “constelação hipertextual ou sincrética, com camadas alfabéticas, glíficas e orais”. De certa forma, pondo em prática essa “poética das Américas”, essa constelação pós-mallarmaica, senti-me instigado a comparar o poema “Histórias da Guerra”, de Charles Bernstein, com o poema “A Bomba”, de Carlos Drummond de Andrade. No poema de Drummond, lemos: “A BOMBA A bomba “A guerra é um passeio infinito num cemitério finito. A guerra é um modo de a natureza se confirmar selvagem. A guerra é uma nova oportunidade.” No final do seu poema, Drummond afirma, singelamente: “A bomba O homem “A guerra é a última diversão.”
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